Descobrindo palavras bonitas

19/02/2011 por

Descobrindo palavras bonitas

Tenho dado um tempo analisando certas palavras de nosso vernáculo e tenho procurado sentir como suas composições pelas letras chegam aos nossos ouvidos após lê-las com esta finalidade.

Vi que umas palavras soam melhor ao ouvi-las que outras, mesmo sabendo ser chique o uso adequado de algumas delas, ao contrário do que soa mal aquela composição vinda do universo sertanejo, na versão “chique no úrtimo”.

Li não sei onde que lembrança, saudade, vaga-lume, óculos, anjo, borboleta, andorinha, descaminho, ainda, furacão, paixão, beija-flor, mágoa e dezessete, figuram entre as mais belas.

Locutores de rádio, “de ouvido”, salientam certas palavras e passa a usá-las com base no que podem elas produzir por suas condições de fonética.

Aliás, a própria palavra fonética é para mim uma das mais belas de nosso vocabulário.

Para quem não sabe, Fonética é o ramo da Linguística que estuda a natureza física da produção e da percepção dos sons da fala humana. Preocupa-se com a parte significante do signo linguístico e não com o seu conteúdo. Fonética, subdivide-se em:
• Fonética articulatória: estuda como os sons são produzidos, isto é, a posição e a função de cada um dos órgãos do aparelho fonador (língua, lábios, etc.);
• Fonética acústica: analisa as características físicas dos sons da fala, ou seja, as ondas mecânicas produzidas e a sua percepção auditiva. (conforme obtive na Wikipédia).

Lembraria da palavra amor, que o próprio significado faz dela talvez a mais bela, porque na persistência natural na propagação do bem, com foco na conquista desse sentimento, acostumamo-nos a tê-la talvez como a que melhor significa o belo em nossas vidas.
A palavra amor figura nas mais belas poesias, nas mais admiráveis letras de composições musicas e nas próprias declarações entre pessoas enamoradas.

Saudade está entre as mais belas, mas quanto a ela há algumas peculiaridades. Uma delas é de ser conhecida apenas em galego e português.

Saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular. A palavra vem do latim “solitas, solitatis” (solidão), na forma arcaica de “soedade, soidade e suidade” e sob influência de “saúde” e “saudar”.

Diz a lenda que foi cunhada na época dos Descobrimentos e no Brasil colônia esteve muito presente para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, longe de entes queridos. Define, pois, a melancolia causada pela lembrança; a mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou ações. Provém do latim “solitáte”, solidão.
Uma visão mais especifista aponta que o termo saudade advém de solitude e saudar, onde quem sofre é o que fica à esperar o retorno de quem partiu, e não o indivíduo que se foi, o qual nutriria nostalgia. A gênese do vocábulo está directamente ligada à tradição marítima lusitana.

A origem etimológica das formas atuais “solidão”, mais corrente e “solitude”, forma poética, é o latim “solitudine” declinação de “solitudo, solitudinis”, qualidade de “solus”. Já os vocábulos “saúde, saudar, saudação, salutar, saludar” proveem da família “salute, salutatione, salutare”, por vezes, dependendo do contexto, sinônimos de “salvar, salva, salvação” oriundos de “salvare, salvatione”.

O que houve na formação do termo “saudade” foi uma interfluência entre a força do estado de estar só, sentir-se solitário, oriundo de “solitarius” que por sua vez advem de “solitas, solitatis”, possuidora da forma declinada “solitate” e suas variações luso-arcaicas como suidade e a associação com o ato de receber e acalentar este sentimento, traduzidas com os termos oriundos de “salute e salutare”, que na transição do latim para o português sofrem o fenômeno chamado síncope, onde perde-se a letra interna l, simplesmente abandonada enquanto o t não desaparece, mas passa a ser sonorizado como um d. E no caso das formas verbais existe a apócope do e final.

O termo saudade acabou por gerar derivados como a qualidade “saudosismo” e seu adjetivo “saudosista”, apegado à ideias, usos, costumes passados, ou até mesmo aos princípios de um regime decaído, e o termo adjetivo de forte carga semântica emocional “saudoso”, que é aquele que produz saudades, podendo ser utilizado para entes falecidos ou até mesmo substantivos abstratos como em “os saudosos tempos da mocidade”, ou ainda, não referente ao produtor, mas aquele que as sente, que dá mostras de saudades.
No Brasil, o dia da saudade é comemorado oficialmente em 30 de janeiro.

Gostaria muito saber quais as palavras que, na sua opinião são belas, caem bem aos seus ouvidos. Use o comentar desta página e vamos enriquecendo o tema.

Gosto também da palavra afago, que tem como sinônimo, carinho, mimo, carícia, blandícia e como antônimos maltrado e rude.

Sinto que somos influenciados em nossos sentimentos também pelo que significam tais palavras. Desejo é uma palavra que me chama a atenção.

Em filosofia, o desejo é uma tensão em direção a um fim considerado pela pessoa que deseja como uma fonte de satisfação. É uma tendência algumas vezes consciente, outras vezes inconsciente ou reprimida.

Quando consciente, o desejo é uma atitude mental que acompanha a representação do fim esperado, o qual é o conteúdo mental relativo à mesma. Enquanto elemento apetitivo, o desejo se distingue da necessidade fisiológica ou psicológica que o acompanha por ser o elemento afetivo do respectivo estado fisiológico ou psicológico.

Tradicionalmente, o desejo pressupõe carência, indigência. Um ser que não caressesse de nada não desejaria nada, seria um ser perfeito, um deus. Por isso Platão e os filósofos cristãos tomam o desejo como uma característica de seres finitos e imperfeitos.
Tradicionalmente, os filósofos viram o Bem como o objeto do desejo. Atualmente isso é questionado.

O tema dá abertura para muitas derivações e discussões conforme a visão e audição de cada um.
Encerro por aqui, pela palavra desejo.

Recorro a “tô com saudade de tu meu desejo” e posto a seguir a música que tem a simples mas bela palavra nela contida (com Maria Bethânia). Ouçam-na com atenção às palavras e entendam algumas razões que levam os poetas e letristas a produzirem tantas maravilhas, mais perceptíveis pelos sensíveis (outra palavra bela), que tem como defição no meio como “mensageiros da ETernidade).

Escrito por Renato Cardoso com informações subtraídas de sites de informações da internet.

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4 Comentários

  1. fran dotti do prado

    ola amigos
    Gosto muito de ler estes peculiares artigos sobre nossa Bauru.
    Já distante há tanto tempo, deparo-me com emails aqui no “Deixe um Comentário”, perguntando “Por onde anda Fran Dotti”, inclusive minha old firend Fatima Bacellar, em Portugal. Pois bem, com sua permissão, meus novos livros e publicações estão no Google ou na Wikipédia, tbem meu site.
    Muito amor, muita noite brilhante de estrelas e muita musica de Maria Bethânia…
    Beijos
    Fran Dotti
    by Momento Exato (bauru/l975-76)

  2. Fabiana, Patty e Felipe Dotti do Prado

    Papai Fran Dotti
    Hoje por exemplo é seu aniversário e o bolo de brigadeiro estava ótimo na hora do almoço.
    Um trecho de seu novo livro “NOIR EVOCATIVO” fica aqui, para saudar esta data…
    “Deixei tão distante, lá nos confins de Goiás, Goiás Velho, Goytacás…
    aquele menino que eu era, tão distante que era,
    singular beleza, as águas araguaias, botos, arraias…
    Ficou tão longe, que hoje quando penso em buscá-lo, já nem lembro mesmo, quem ele era…, quem ele sonhava, com quem seus olhos dormiam, com quem seus sonhos sonhavam…”

  3. Equipe ZCastel

    Fran, mande um artigo a seu critério para ser postado no Z Castel. Vc é um das pessoas que mais admirei em minha vida. Uma das mais queridas, a par de ter sido mais amigo de seu irmão mais velho.
    O que tendo, humildemente escrever hoje, você sempre fez com muita competência e sensibilidade em toda sua vida.
    Vc é uma das relíquias históricas de Bauru e quero ter uma página sua no http://www.viv endo bauru.com.br que tem espaço aberto para resgatar os verdadeiros valores de nossa história cultural.
    Meu e-mail é contato@renatocardoso.com.br
    Um abraço e que alegria ter contato com você por aqui. Um beijo à minha prima Fátima Bacellar que não vejo há anos.
    Beijos aos dois.
    Renato Cardoso (o caipira que veio de Piratininga e assumiu Bauru como sua cidade por muitos e importantes motivos).

  4. Ivana Locali (de Americana)

    Fran,
    um grande poeta, um grande amigo e uma grande saudade!
    Saudade dos verdes campos, das fartas gargalhadas, de conversas entre bezerros, pincéis e latas de tinta, num estábulo antigo que virava uma festa em suas aulas.
    Um abraço muito apertado prá você e fica com Deus!
    Ivana

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