Não se trata de exagero!

11/12/2011 por

Por Renato Cardoso (*)

Se eu começasse assim: “O cavalo (do latim caballu) é um mamífero hipomorfo, da ordem dos ungulados, uma das três subespécies modernas da espécie Equus ferus”, rapidinho o post seria ignorado.

Mas ao inserir o cavalo entre os animais mais amados do planeta, aí, de pronto conquistaria uma infinita legião de adeptos à criação, ao convívio, à monta, à comercialização, e assim vai.

Se dissesse que a denominação para as fêmeas é égua, para os machos não castrados, garanhão e para os filhotes, potro, voltaria a não me comunicar e mais ainda quando insinuasse que esse grande ungulado é membro da mesma família dos asnos e das zebras, a dos equídeos. Todos os sete membros da família dos equídeos são do mesmo gênero, Equus, e podem relacionar-se e produzir híbridos, não férteis, como as mulas.

Só mais um pouco de informação técnica: pertencem a ordem dos perissodáctilos, sendo por isso parentes dos rinocerontes e dos tapires, ou antas.

Esses animais dependem da velocidade para escapar a predadores – aí a conversa começa a ficar animada, pois diz respeito aos que apostam em corridas de cavalos e há os que apostam em cavalos para as muitas formas de provas.

Há quem curta os cavalos por sua elaborada linguagem corporal para comunicar uns com os outros. E há muitos que curtem os cavalos por sua beleza, no ramo chamada de conformação. Mas há os que curtem os cavalos por sua docilidade e pelo muito de prazer que proporciona, quer em cavalgadas pelo campo, quer pelas corridas em provas, que pela convivência que sempre se dá por mais aproximação.

O cavalo teve, durante muito tempo, um papel importante no transporte; fosse como montaria, ou puxando uma carruagem, uma carroça, uma diligência, um bonde, etc.; também nos trabalhos agrícolas, como animal para a arar, etc. assim como comida. Até meados do século XX, exércitos usavam cavalos de forma intensa em guerras: soldados ainda chamam o grupo de máquinas que agora tomou o lugar dos cavalos no campo de batalha de “unidades de cavalaria”, algumas vezes mantendo nomes tradicionais (Cavalo de Lord Strathcona, etc.)

Como curiosidade, a raça mais rápida de cavalo, o famoso thoroughbred (puro sangue inglês ou PSI) alcança em média a incrível velocidade de 17 m/s (~60 km/h). São os mais vistos nas pistas de corrida, de Londres ao Jokey Club de São Paulo.

No Brasil, os cavalos tidos como mais belos são da linhagem árabe. Os mais apropriados para cavalgadas, os da raça mangalarga.

Os mais brasileiros para provas rurais, são os da raça quarto de milha, que nada mais são do que a cruza dos trazidos pelos europeus ao continente norte-americano, em 1611, com os cavalos de indígenas (mustangues), tambem de ascendência ibérica. O nome surgiu pela aptidão da raça ser rápido no primeiro quarto de milha e os americanos aproveitaram para fazer o marketing.

Posteriormente, dezessete garanhões e éguas, originalmente thoroughbreds ingleses, foram levados para os Estados Unidos. Entre os thoroughbreds importados figura Janus, um filho de Godolphin Barb.

Pronto, tudo isso para chegar à foto, tirada em Bauru, num haras que cria exclusivamente cavalos quarto de milha para provas de baliza e tambor, que são muito praticadas em muitas cidades do interior.

A jovem da foto, uma amazona campeã, Laura Daré Braga, com sua Obama, que dispensa comentário quanto a paixão entre os dois.

A foto foi registrada neste final de semana, quando centenas de cavaleiros e amazonas de todos os cantos se aconchegam em Bauru e competem nas provas de hipismo rural, válidas pela ABQM.

A mãe de Laura, Paola (foto), foi campeã numa das categorias de prova de tambor.

Tudo sobre cavalos pelo site Expoanimais ou pelo Wikipédia.

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