20/05/2013 por ZCastel
Por Téta Barbosa (*)
Foi por ali, entre 1756 e 1763, que os soldados franceses, cansados de uma guerra que não acabava nunca, ou melhor, que acabou depois de 7 anos, mas que parecia que não acabava nunca, começaram a sair de fininho e deixar seus postos. Tipo: vou ali comprar um cigarro e (cri, cri, cri) não voltaram mais. E foi justamente durante essa guerra que surgiu a expressão “saída à francesa”.
Devem ter imaginado: “com tanta coisa para fazer, tanto lugar para visitar, tanto amor para amar e eu vou ficar aqui?”. Não ficaram.
Fizeram uma saída pela esquerda (que poderia ter sido pela direita, por cima ou por baixo), como nosso amigo cor-de-rosa, o Leão da Montanha, aquele simpático personagem da Hanna-Barbera, e largaram a guerra.
Acontece que a vida é uma guerra, que não acaba nem depois de 7 anos. É um tal de levar menino no dentista, trabalhar em três lugares ao mesmo tempo, fazer feira de mês, preparar o jantar, colocar água na orquídea, participar da reunião de condomínio e ainda programar o pagamento do apartamento.

No meio do tiroteio, entre mortos e feridos, sobra pouco tempo, pouquíssimo inclusive, para viver. Quando digo viver, me refiro a fazer coisas que nos dão prazer. No meu caso, entram na lista de viver tarefas como escrever, pintar, ir ao cinema, ouvir Bob Dylan e andar descalça na areia da praia.
A guerra é assim mesmo, engole a parte humana do ser, deixando a gente como os tiranossauros, apenas à procura da próxima caça que irá nos garantir a sobrevivência.
Todo esse arrodeio para dizer que me encontro atrás de uma trincheira, observando a presa e torcendo para chegar viva em casa e alimentar a cria. E, por isso mesmo, venho hoje me despedir.
Não sairei à francesa, como nossos amigos soldados, muito menos sem já levar saudade. O fato é que a vida corrida e agitada da selva moderna tem me deixado sem a inspiração e tempo suficiente para preencher essa tão valiosa coluna semanal.
Venho fazer uma saída à brasileira, agradecendo ao meu anfitrião, Ricardo Noblat, por essa oportunidade única, e aos leitores pela paciência.
Preciso lutar uma batalha por vez para não perder a guerra.
Até mais!
(*) Téta Barbosa é jornalista, publicitária, mora no Recife e vive antenada com tudo o que se passa ali e fora dali. Escreve aqui sempre às segundas-feiras sobre modismos, modernidades e curiosidades. Ela também tem um blog - Batida Salve Todos.
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