30/01/2012 por ZCastel
Por Renato Cardoso (*)
A Rede Globo levou ao ar a série denominada Brado Retumbante, que pode ser assistida aqui por quem perdeu pela emissora até pelo horário de altas horas em que foi exibida.
O conteúdo e a mensagem que pretendeu passar foi clara aos políticos atuais e retrata com perfeição o que estamos vivendo no Brasil em termos de Brasília com extensão a todo o País, ou seja, uma verdadeira corrupção que corrói os cofres que em tese estaria sendo reservado para aplicação nas muitas causas em pról da sociedade, especialmente junto aos mais pobres.
A mini-série apresentou o drama que vive um político que precisou assumir a presidência, em razão do falecimento do presidente e vice, por estarem no mesmo helicóptero (aí uma falha pois na prática os dois nunca estão na mesma aeronave).
No mais, foi de uma abrangência perfeita, abordando todos os problemas vividos pela sociedade moderna: corrupção, venda por obras com licitações viciadas, as propinas, a venda de sangue, o desvio de verbas, a vergonha na edição de livros didáticos, etc., com uma dose de vida íntima de um presidente sério, com seus problemas familiares, dando destaque a um filho transexual, com clara pretensão de, aí, dar a defesa do autor aos milhões de casos reais, em fase de alta discriminação. O caso pontuado na mini-série mostrou o drama que vive uma família com alguém nessas condições. E foi Brado Retumbante em defesa, na nítida expressão de que a sociedade tem que se ajustar quanto ao aspecto. Maria Fernanda Cândido faz o papel de uma primeira dama frígida com o marido e que se joga nos braços de um amante argentino, que na mini-série reside no país, lá à frente, presidido por Diogo Maradona. O aspecto foi para dar uma conotação como a que vivemos em termos de disputa no campo de futebol.
Um aspecto foi abordado com ênfase, que diz respeito às drogas e, na ficção da Globo, menciona a Bolívia, país que quase entra em guerra com o Brasil, não tomasse uma posição aparentemente séria o presidente que lá à frente se apresenta como Hombre, mas que também é o líder do tráfico (este aspecto é sério).
O ator que melhor interpreta o tipo cafajeste do cast da Rede Globo, José Wilker, encarou perfeitamente o Presidente da Câmara dos Deputados e não deixou a desejar ao que se imagina com relação ao que vivemos no mundo atual. Idem com relação ao Luiz Carlos Miéle, que faz o papel perfeito de um presidente do Senado Federal nos mundos de hoje.
Muito sutil a forma como a mini-série foi levada ao ar.
Os ministros, maioria enfiada goela abaixo do presidente (como se imagina ocorrer no atual governo), exibem sua postura de absoluta corrupção e nos capítulos mostra o que vive um presidente sério quando tem que demitir alguns do time ligado ao legislativo e com (conforme a trama) ao Judiciário.
O presidente, que teve que assumir por ser o terceiro na escala de sucessão, conforme a Constituição Federal, Paulo Ventura, interpretado pelo até então desconhecido Domingos Montagner, teria sido um advogado e político em fase desanimada com a vida pública, que acaba sendo eleito presidente da Câmara dos Deputados em uma articulação promovida por um Senador que pretende usá-lo como fantoche. Mas os planos não dão resultado quando um acidente aéreo mata o Presidente e seu vice e Ventura se vê obrigado a assumir a presidência do país e a enfrentar uma série de sucessivos escândalos.
A série Brado Retumbante foi exibida originalmente de 17 de janeiro a 27 de janeiro de 2012, em 8 capítulos. Escrita por Euclydes Marinho com a colaboração de Nelson Motta, Guilherme Fiuza e Denise Bandeira, com direção de núcleo de Ricardo Waddington, direção-geral de Gustavo Fernandezce é a 76ª minissérie exibida pela emissora, sendo a anterior Dercy de Verdade.
O cenário da mini-série é o Rio de Janeiro, claramente por razões técnicas, porque o que em tese deveria ser o mais original, Brasília, não se adequaria à obra que se apresenta como de ficção, pois teria, caso lá, que exibir os palácios (da Alvorada, Congresso Nacional, etc.).
Fica a recomendação para que assistam em todos os capítulos, postados aqui, tendo em vista já estar no Youtube e à disposição de todos.
Imagina-se, conforme deixou entender a trama, que um ex presidente, arrependido por ter sido corrupto e em fase terminal de vida, aconselhou Paulo Ventura candidatar-se à reeleição. Talvez a mini-série esteja insinuando que um político de hoje, lá à frente, poderá se arrepender de seus pecados e, quando lá, frente à prestação de contas, esteja tentando reverter sua dor de consciência, passando a aconselhar o político sério a continuar na vida pública e nas mesmas condições de postura ética que Brado Retumbante tentou passar.
Em suma o que se deduz é que poderá ser o nosso tão sonhado Brasil, sugerido pela tv em forma de ficção, mas lá à frente sugerindo em nós todos a vontade louca de soltar um Brado Retumbante, quando juntarmos nossas vozes para cantar o Hino Nacional.
Conheça mais a respeito da mini-série Brado Retumbante.
(*) Renato Cardoso, o autor, é publicitário e bacharel em direito.
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