Adoro o português e a matemática nem tanto
Por Renato Cardoso (*)
Já escrevi sobre isso não sei onde, mas hoje decidi voltar ao tema.
Quando digo que adoro o português refiro-me a um cunhado, cujos pais são da terra do Pessoa. Adoro minha irmã, casada com o português, como bem pode deduzir um “oriundi” da terra de Fernando Pessoa e Amália Rodrigues e do Christiano Ronaldo, que levou nosso Michel Teló ao patamar de conhecido mundialmente só porque fez o gesto sugerido pela música “Assim você me mata!”.
Aliás adoro todas minhas irmãs, sem mais nem menos com relação a todas. De vez em quando tem essa coisa que tem nas melhores famílias de Londres, mas ao final o que prevalece mesmo é a força do mesmo sangue correndo na veia de todos. Sempre digo que aquele sangue vermelho só tem um e corre nas veias de minhas irmãs e também nas minhas e isso tem muito do Criador… e olhado por esse lado, o amor aumenta e fica muito mais intenso.
Tenho restrição quanto à matemática, porque vejo uma irmã, a mais nova, sofrer… e sofrer como poucos na preparação das aulas da matéria, que tem que propiciar aos seus alunos e isso há mais de trinta anos, nesse nosso complexo de funcionários públicos voltados ao magistério (homenagem a eles) sem o menor reconhecimento. Eu posso dizer como é injusto o nosso sistema com relação aos professores, num País onde o ensino deve ser levado a sério -salve Chalitta e Haddad – dois próximos candidatos, sendo um ex secretário e outro ministro da pasta.
Mas vamos lá… adoro minhas irmãs, que são filhas de meu pai e minha mãe, sem que queira insinuar que irmãos filhos de pais diferentes não sejam “manos”. Até filhos de mães diferentes, dependendo do grau de relacionamento, são irmãos de verdade, e como!
Tenho aqui na minha cabeça essa coisa do porque gostar do português, levando em conta que o outro cunhado é feríssima em matemática, gênio em física, química e biologia, que muitos podem até pensar que têm a ver, mas não. Eu sim, porque tenho uma sobrinha, nesse magistério de nossos dias, que dá aula de tudo, dependendo da necessidade e falta de profissionais aptos a.
Nada a favor de um e muito menos nada contra o outro. Quanto aos cunhados, gosto dos dois pelo que são e como são e não me deixo levar por essa coisa de ter receio quanto à matemática, muito embora seja fera na matéria, pois fora eu forjado em tempos em que fazer conta de cabeça era uma necessidade. Sou fera em matemática… faço conta de cabeça chegando até três dígitos.
Ouvi hoje uma canção que diz o seguinte: “você ama a matemática e eu adoro o português”. Ela ficou em minha cabeça e me fez lembrar de toda minha família, chegando à emoção porque, se tenho minhas irmãs que adoro muito e mais agora, é porque tivemos nós um pai e uma mãe que fizeram para que isso viesse a ocorrer. Amamo-nos porque “temos berço”, como diz um primo quando quer se referir a uma família absolutamente equilibrada no sentido emocional moderno e todos respeitando todos, como são (eu sou o mais temperamental e imagino ser o que mais dá trabalho, ainda).
Da melodia, tiraria essa coisa de matemática e português e ficaria com outro verso da letra que diz o seguinte:
“É, e é por tudo isso que está dando certo
Melhor coisa do mundo é ter você por perto
Segura minha mão…
É, Seguro nos seus braços eu fico à vontade
Sou a pessoa mais amada da cidade
Nunca mais solidão…
Solidão…”
(*) Renato cardoso, o autor, é publicitário e bacharel em direito.
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A tradição de servir uma xícara aos visitantes é um hábito que remonta séculos nas casas interioranas. Venho de uma família onde é considerado falta de educação a simples demora em servir um café aos recém chegados. Ao acordar, algumas xícaras já vêm até as camas. Esse privilégio de tomar o pretinho, quase na horizontal, é uma herança da burguesia mas confesso que não há mal costume melhor. Você se sente um verdadeiro imperador pronto para montar seu cavalo em direção às hordas de infiéis.
Quantos pares já não começaram seus casos através de uma simples xícara de café? Quantos negócios já foram regados, quantas mágoas já foram consoladas, quantos desabafos já desfilaram ao seu sabor? Mesmo quando estamos profundamente solitários, o cafezinho cai bem. Ele chega como uma presença líquida a nos confortar, a nos fazer companhia. Exatamente como um tapinha no ombro.










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