23/04/2012 por ZCastel
Vou tentar escrever sem me emocionar, a ponto de conseguir chegar ao final de minha proposta. E isso porque perdi hoje um dos maiores amigos.
Um amigo que tenho orgulho de declarar de público, e isso por um motivo muito especial: muitos não concordarão, porque não souberam conhecer Amir Farha, aqui em foto de quando jovem, na intimidade. Amir, que partiu depois de vários meses de muito sofrimento, era sem dúvida uma pessoa especial.
Não perdi apenas um amigo, um irmão de todos os momentos, mas um ser diferenciado e com um nível de inteligência que jamais vi igual, no que concordam muitos.
Amir Farha conviveu da intimidade amigável de Fausto Silva, que sempre aos domingos inseria o nome do piratiningano em seus alôs, junto a muitos badalados dos meios artístico e publicitário.
Por muito tempo Amir Farha foi referência no programa “Terceiro Tempo”, apresentado por Milton Neves, que deve ser um dos que concordam comigo quanto ao aspecto de ter sido Amir Farha um dos maiores entendidos do futebol brasileiro. Amir sabia tudo nos mínimos detalhes, e levando a conversar sobre futebol ao passado mais distante, quando era o caso.
Isso sem falar de sua inteligência privilegiada e seu raciocínio tão rápido como pede o mundo de hoje quando tudo é velocidade e presteza pronta.
A propósito, se a qualquer momento Milton Neves quiser inserir em seu site, na coluna “Que fim levou”, cujo título acho um horror, qualquer referência, poderá mencionar que Amir Farha levou o fim traçado por Deus, assim como teve seus últimos dias, de acordo com o Pai e não de acordo com pseudos amigos.
Os últimos dias de Amir Farha não foram fáceis, mas alguns e sinceros amigos estiveram ao seu lado o tempo todo e sem contar a dedicação dos irmãos e sobrinhos, além dos três filhos e do oneto. Um dos sobrinhos, em especial e por motivos que só mesmo os mais próximos sabem do porque, disse que não perdeu um tio, um amigo… perdeu sim um pai.
Que fim levou Amir Farha? Levou o fim de todos nós, quando nosso corpo desce à terra e nosso espírito segue seu destino que, conforme nosso desejo, seja igual a de todos, iluminado ao extremo, pois todos merecem retornar à casa do Pai, que tem muitas moradas.
Não tem a menor razão comentar aqui os últimos dias de Amir Farha, com poucos e verdadeiros amigos e sem qualquer dos importantes a se lembrar de quanto emprestou ele sua inteligência e saber em momentos de lazer, profissional e mesmo político.
Hoje o dia está triste para quem verdadeiramente gostava de Amir Farha. Porém, um pouco aliviados esses, porque também não estava sendo fácil vê-lo nas condições em que se viu obrigado viver em seus últimos tempos.
Amir Farha viveu dias de grandeza em tempos do regime militar, quando privou de amizades importantes da época, aproveitando delas, aliás, para trazer inúmeras benfeitorias para Bauru e muitas moradias para quase todas as cidades do Estado de São Paulo, na condição de diretor financeiro da Cohab Bauru.
Fez muito. Fez por merecer a dádiva de ter sido agraciado com sua vida.
Sua passagem por aqui, do nascimento à morte, é para mim muito significativa, pois olho para sua trajetória e vejo como é a vida, do primeiro choro gracioso no pós-parto, ao choro dos que sentem, quando da partida.
E olhando para o trajeto de Amir, ponho-me a pensar com muito mais ênfase, como devemos nos olhar, enquanto vivos e como devemos olhar os que nos rodeiam, além dos que nos chegam pelos muitos meios, por certo concluindo que não nos pertencemos plenamente, pois todos, ao final, estamos entrelaçados e estamos incluídos na lista do mesmo destino.
Concluo, que mesmo quando parte, Amir Farha ensina alguma coisa. Mas sei que agora está bem!
Renato Cardoso.
leia mais
Comentários