Bauruenses saudosos
Na verdade são bauruenses que morrem de saudade um do outro e todos da terrinha, de qual saíram mas que a tal de Bauru não saiu jamais de seus corações.
Eles moram no norte do Brasil, na capital paulista, em outros países, distantes, nem tanto, mas se comunicam o tempo todo e fazem questão de voltar no tempo para pelo menos comentar de quando tinham toda felicidade a dar o clima da amizade e relacionamento.
E aproveitam para informar como estão, se se casaram, se têm filhos, se os filhos se casaram, se já têm netos e tudo que rola numa conversa entre amigos de verdade. Vale falar de tudo, até dos que se foram e deixaram saudade, daquela que foi o grande amor, mas cujo relacionamento se findou e entrando outro em seu lugar, talvez para ocupar espaço ou quase sempre para suprir a falta deixada pela de antes tão preciosa.
De todos os bauruenses saudosos, pelo menos um time decidiu fazer com que a amizade se prolongasse pelo tempo e pela distância e até mandaram construir um site para, através dele, todos ficarem sabendo de todos.
É natural que aos finais de ano bate aquela saudade básica e quando podem, se reúnem, quase sempre em um local campestre e lá colocam os assuntos em dia, morrem de alegria ao contar as passagens marcantes de quando eram jovens, chegam a falar das namoradas, dos casos, das namoradas dos amigos, dos casos que ficaram na memória e até daqueles que se perderam no tempo.
Quase sempre “rola” um churrasco e com muita cerveja, porque afinal o dia é de festa e de comemoração da vida, da amizade, misturadas com muita saudade e, se possível, por um simples tocar em cada um, ter o tempo de volta e reviver tudo novamente, sem tirar nem por um único detalhe.
Falam da Eny e suas meninas, da Batista de Carvalho quando era rua de acesso e em mão única, passando pela Capristor, pela Lalay, depois chegando à Gustavo Maciel (que dava mão na subida) e que passava pelo Bauru Tênis Clube, aquele saudoso, que enfim era palco de encontros memoráveis em todas as épocas do ano, tendo sua explosão no carnaval, quando cinco noites e quatro matinês eram insuficientes para tanta adrenalina e precisavam de pelo menos dois corsos pela Rodrigues Alves, para juntos representarem a cor vermelha e branca do clube, que era sofisticado e fechado, mas que se abria como um local de muita festa para quem era acolhido.
Mas nem com tudo aquilo os jovens se davam por satisfeito e organizavam anualmente o Banho à Fantasia, que de tão inusitado, jamais fora visto em qualquer outro lugar, porque para dele participar, era preciso fazer parte do time do pólo, com Bijinho e Patéli, Sapé e Nando, mais todos os outros que faziam com que todos os cantos do BTC ficassem superlotados de curiosos que buscavam ver aquele momento que enfim era o mais disputado de tudo que ocorria em pleno carnaval.
Os jovens eram tenistas, jogavam pólo aquático, futebol, comiam o delicioso sanduíche do Carlinhos no Cassino do BTC e se reuniam em um canto qualquer para colocar pra fora toda aquela adrenalina, que de tanto, ainda estão no corpo e na mente de cada um e daí a necessidade extrema do reencontro, que afinal se dá em todo final de ano, como dia desses, quando próximo a 200 jovens das décadas de 1.960 e seguintes se reencontraram e se abraçaram como velhos amigos relembrando aqueles velhos tempos, aqueles belos dias.
Mas não foi tudo, querem mais, querem trocar fotos, mandar e-mails criar comunidade no Facebook, querem mais festa, querem estar juntos, querem comemorar, reviver, se reencontrar com todos, … mesmo porque nem todos os assuntos foram esgotados.
Falar das meninas dengosas e pudicas, mas que eram foco das conquistas inevitáveis e como são lembradas por seus bailes de debutante, coisa que se comentada hoje, poderão imaginar tratar-se de mais um conto de fadas, porque a sede do BTC se transformava em castelo e as lindas garotas, quase sempre com idade próxima a quinze anos, desciam deslumbrantes pelas escadarias lindamente decoradas ou por Paulo Medina, ou por Paulo Keller, Roberto Godoy e tantos outros que entram na história como coadjuvantes indispensáveis dessa fase memorável.

O BTC sempre foi palco dessa turma que se reúne anualmente, mas sabe-se que outros grupos fazem o mesmo, porque voltar ao passado é uma forma de reviver pelo menos um pouco cada detalhe de tudo aquilo que foi belo e que fica em nossa memória como algo muito mágico.
Bauruenses pelo mundo são muitos, como são muitos todos de todos os lugares que se misturam nesse mundão sem cerca e sem porteira, quando a necessidade do domínio do inglês, francês, árabe, hebraico e até o mandarim são fundamentais para quem queira enfim andar por aí, de forma leve e solta.
Voltar no tempo é lembrar do Fordeco, com seus fords impecáveis, do Salmen, do Zé Farha com seu corcel bino, dos Rinos que vão do Nilson e chegando ao Ayrton, porém passando por Evaldo, Niltinho e Evandro.
Como deixar de fora o Rodolfo Patélli, carinhosamente chamado de “mão”, que de tão simples e humilde, jamais reclamou do apelido, que era remetido a um pequeno detalhe de sua mão, que afinal ficou como sua marca registrada, porém não sobrepujando seu valor maior que estava no carinho, no afeto, na simplicidade, na forma de se dedicar aos amigos, de se fazer amigo.
Falar daqueles tempos e dos bauruenses pelo mundo, é falar de muita gente que se foi, e ao partirem, por certo levaram consigo o pedaço do coração de cada um. Na verdade eles não morreram, como jamais todos não morrerão, porque a vida que todos têm na memória por todos, é pra sempre, como é pra sempre a vontade incontrolável de ter tudo de volta, como que se possível fosse, a um simples apertar de um botão.
Não dá passar em frente ao BTC e ver lá um escritório para outro fim… não aquele, pois o BTC de verdade era aquele e só ele faz parte de nossas vidas e foi palco de momentos que ficarão marcados para sempre. Aquele restaurante com nada menos que o Zé, que depois foi do Skinão, a dar aquele atendimento primoroso e se não carinhoso a todos, em quaisquer estágio, com umas a mais na cabeça ou não, pelo menos de forma cordial, como mandava o bom tom daqueles anos em que Christine Youfon vinha até Bauru para se atualizar em etiqueta com Paulo Medina.
Hoje são puras recordações e muita saudade de todos, tanto dos que faziam parte do time mais próximo, como daqueles que eram de outras turmas, de mais jovens ou de mais velhos, não importa mais, porque todos se misturam numa única fotografia que se chama passado e todos fazem parte de todos nós, porque todos são a nossa própria história.
Ao visitar o mural de um deles, Nelson Mortari Júnior, aí sim a saudade bateu forte, porque alguns dos muitos que estão guardados em nossos corações estão lá, em fotos e todos esboçando o sorriso pela alegria do encontro, mas com o misto de saudade, e porque, embora com o coração a mil, trazem a marca do implacável tempo, que nem por isso faz dos encontros dos amigos menos valioso e importante.
Bauru sempre teve seu lado mágico, seu lado místico e alguns detalhes podem ter contribuído para tanto, como o próprio BTC, com seu rigor na aprovação de um novo sócio ao mesmo rigor na organização das festas, como nas aulas de tênis pelo Seu Cláudio Sacomandi, ou de pólo aquático pelo Nabo, ou judô, e assim ia com os demais esportes.
Em tudo era preciso ser o melhor, porque a marca BTC era forte e precisava continuar a brilhar no estrelato nacional do esporte, do lazer, da arte, da cultura e em especial das festas.
Naquele tempo música pra valer tinha “pombinha branca eu quero paz”, mas os jovens as tinham para que pudessem ir um pouco mais à frente e nada que uma lança perfume não lançada à mão não fosse o suficiente para que a adrenalina ficasse mais ativa e pelo menos naqueles dias de carnaval o excesso, se não permito, pelo menos fosse possível.
Depois tudo voltava ao normal e todos se encontravam na Lalay, nos cinemas Bauru, São Paulo, ou Capri, ou Vila Rica, onde até alguns “amassos” nas namoradas era possível, porém não permitido, porque tinha um Ponciano a vigiar e ter medo dele era coisa mais que normal.
O tempo é implacável, de novo, mas ái de quem não passou ou passa por ele e atento a cada segundo e por certo aqueles jovens que hoje querem reviver tudo, sem tirar nem por, procuram observar cada momento e aproveitá-lo ao máximo, mesmo que tirando sonos dos pais e causando preocupação nos professores.

Maioria venceu na vida, alguns não, muitos estão com horizontes firmes ainda a perseguir, outros já curtem a aposentadoria, muitos continuam com as esposas originais, outros com a segunda, terceira, sei lá, não importando qual, mas todas sendo bem vindas e se possível todas se dando bem, porque afinal a vida é isso, união sempre e quando não, pelo menos uma convivência pacífica.
Mas enquanto escrevo esse desabafo, levado pela emoção ao ver as fotos e ter uma conversa com um amigo de tempos inesquecíveis, posto fotos intercalando do último encontro, dos mesmos, dos bauruenses pelo mundo, que para sorte dele, do mundo, tem gente nossa em todo lugar, porque bauruense pra valer, leva um pouco do melhor de nossa cidade, que sempre teve e tem por característica a arte de poder contaminar. É quando me lembro do Peninha, que de Bauru passou a ser do mundo e com direito a nome constando da Wikipédia, onde só famosos se inserem.
Ótimo saber que a nossa Bauru se estendeu pelo mundo, que de tão pequeno, cabe nessas mal traçadas linhas e pode ser trazido a todo instante à palma da mão, que se aconchega ao coração e dele sai a expressão: “foi ótimo, e de tanto, quero viver tudo de novo”.
Veja fotos do encontro clicando em Bauruenses pelo mundo.
(*) Renato Cardoso, o autor, é jornalista, publicitário e bacharel em direito.
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Marcelo Veiga da Silva publicou em meu mural: Renato… Fico comovido por sua participação no lançamento do livro , o romance “O Articulador Judeu”.

Por Renato Cardoso (*)







Por Zarcillo Barbosa (*)
Por Luciana Gonçalves (*)

Por Zarcillo Barbosa (*)
Por Luciana Gonçalves (*)
A tradição de servir uma xícara aos visitantes é um hábito que remonta séculos nas casas interioranas. Venho de uma família onde é considerado falta de educação a simples demora em servir um café aos recém chegados. Ao acordar, algumas xícaras já vêm até as camas. Esse privilégio de tomar o pretinho, quase na horizontal, é uma herança da burguesia mas confesso que não há mal costume melhor. Você se sente um verdadeiro imperador pronto para montar seu cavalo em direção às hordas de infiéis.
Quantos pares já não começaram seus casos através de uma simples xícara de café? Quantos negócios já foram regados, quantas mágoas já foram consoladas, quantos desabafos já desfilaram ao seu sabor? Mesmo quando estamos profundamente solitários, o cafezinho cai bem. Ele chega como uma presença líquida a nos confortar, a nos fazer companhia. Exatamente como um tapinha no ombro.




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