05/02/2012 por ZCastel
Por Renato Cardoso (*)
Por mais que novatos em internet procurem correr para assimilar essa coisa ainda nova que está aí, muito embora usada há anos pelos jovens (mais por eles), sempre tem coisa nova e sempre tem o que está sendo usado pela maioria ficando pra trás.
Há seis meses disse aqui que e-mail já era. Já disse também que o power point é coisa do passado e a preocupação que se tem de se perder tudo que está contido no programa do windows não é necessária, mesmo porque já há diversas formas para sua transposição para vídeos leves que podem ser postados no Youtube.
Aliás, muito do que estava em pps ou ppt, já está inserido em vídeo e abrigado no maior site de vídeos do planeta, o Youtube. Montagens então em power point, migrados para vídeos, têm seu peso infinitamente menor e é considerável a a possibilidade de chegada a mais e mais computadores.
Os e-mails estão sendo cada dia menos usados (ainda bem). Têm os ridículos que ainda “vendem” mailing, como que propondo solucionar problemas sérios de empresas e corporações de todos os tipos. E-mail, hoje, um ou outro e para quem não faz parte do relacionamento da mídia social do usuário, mesmo porque pelo facebook, há várias formas de envio de mensagem, de bate-papo (chat) e pelo skype e messenger, tem o plus de se conversar por microfones e com direito a ver quem está do outro lado, no outro computador, de qualquer parte do planeta, desde que plugado na internet.
Daí afirmar: e-mail é do tempo da máquina de escrever. Os próximos, do rol de relacionamento de sua mídia social, conversam pelo espaço íntimo do site de relacionamento e os mais próximos ainda (mesmo de relacionamento profissional), usam skype ou msn. E tem mais, aquele telefone em recepção de escritório que mais é usado para anunciar que tem alguém na recepção para conversar com um diretor ou funcionário, entra nesse baú de antigamente. O uso do msn ou skype no âmbito interno de empresas é o que há e o resultado é infinitamente maior e melhor que os antigos telefones, que também estão com seus dias contados.
E Notebooks? Esses, coitados, deixaram de existir desde que surgiram os tablets. Aliás os tablets vão aposentar, em pouquíssimo tempo, os livros e jornais, porque estão sendo melhorados à cada dia e em breve exalarão papel, para que tradicionais deixem de sentir saudade do antigo hábito e serão remetidos a plataformas de textos e imagens, com possibilidade de áudio e tudo mais a que temos direito.
Muda tudo no mundo moderno e que não mudem as pessoas pra ver, pois poderão elas também ser recicladas.
A preocupação que se tem no momento é quanto ao choque de gerações, que se acentua cada vez mais, pois há jovens velhos, jovens jovens e velhos jovens, como também velhos velhos, e quando um lê no papel e outro no tablet, o do papel está lendo o que ocorreu ontem e o do tablet o que está ocorrendo agora.
É preocupante? Imagino que sim e pode até surgir um novo profissional especializado em “acomodar” choques de gerações, como já há os especialistas em solução de conflitos.
Nisso tudo tem uma radical mudança de hábito com resultado em relevância do que importa. Enquanto uns assistem novelas, os da nova geração querem saber o que está ocorrendo na corrida para Marte e como está o japonês que esperou o terremoto que não veio mas que tomou todas as providências para sua proteção.
Tudo está revolto como que um terremoto tenha passado pela linha do tempo
Até deputados e senadores, que são preguiçosos como sabemos, encontram novas meneiras de passar o tempo enquanto as votações nas casas de lei se arrastam por horas. Muitos já usam seu tablet no plenário, quer lendo notícias, quer vendo a garota da Playboy, quer vendo como está o processo em que figura como réu de um mensalão, por exemplo.
O data-show, que tanto marcou o ex-presidente Lula quando teve que expor algum projeto para a equipe, hoje é tido como ridículo, com uma então ministra de Minas e Energia e, depois, chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, grudada a tabelas de PowerPoint e em um laptop. Mais conectada do que nunca ao mundo virtual, a presidente agora só quer saber de tablets. Tem pelo menos quatro dessas engenhocas em locais estratégicos e não abre mão de carregar ao menos uma, em viagem.
Li agora no Blog do Noblat (estará amanhã cedo nos jornais) – com relação aos tablets de Dilma : “Um deles foi presente do presidente da Foxconn — empresa taiwanesa que está se instalando no país. O Samsung de Dilma tem capa personalizada vermelha e vem com sua assinatura. É a partir dessas máquinas portáteis, das quais não se separa, que a presidente acompanha o noticiário estrangeiro, a compilação de reportagens publicadas na mídia nacional e até mesmo dados do seu governo.
Mas não é só trabalho que a presidente busca nos tablets, que têm permitido à Dilma cultivar um dos seus hábitos preferidos, o da leitura. Ela baixa livros sem parar e o último que estava lendo era “Os homens de confiança: Wall Street, Washington e a educação de um presidente”, do jornalista americano vencedor do prêmio Pulitzer Ron Suskind, que trata da ascensão de Barack Obama e da crise financeira de 2008.
A mania por tablet está longe de ser uma peculiaridade de Dilma. Aos poucos, estes aparelhos vêm invadindo a Esplanada dos Ministérios e tomando conta dos gabinetes dos Três Poderes da República, seja por caminhos institucionais, seja pelo simples desejo destes funcionários públicos de carregar o seu próprio tablet para cima e para baixo.
Não há reunião de ministros sem alguns exemplares sobre a mesa. Fernando Pimentel, de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, é um dos adeptos da nova onda. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda mantém um no gabinete, onde lê as notícias econômicas.”
Com todo respeito: você sabe o que está ocorrendo agora em qualquer parte do planeta, ou está lendo que ontem pela manhã um Barack Obama pronunciou que não tem medo dos concorrentes republicanos?
Renato Cardoso, o autor, é publicitário e bacharel em direito.
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