Obra-prima do dia (Semana do Espanto em Artes)

17/04/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa -

Fonte: Blog do Noblat

Instalações: Nick Georgiou

Aconselho a clicarem aqui antes de ler o post de hoje.

Nick Georgiou nasceu em Nova York, em 1980. Formado pela Escola de Artes Tisch, da Universidade de Nova York, trabalhou como Designer de Produção e Diretor de Arte para filmes independentes até resolver se dedicar exclusivamente à escultura.

Georgiou cria esculturas de papel jornal cuidadosamente costurados à mão que ele integra ao ambiente urbano. Suas esculturas dão vida nova a livros e jornais velhos e pretendem restaurar a importância da palavra impressa na sociedade contemporânea.

Papel Humano

Segundo ele, o mundo vive um momento de confusão e tumulto tanto contra ele próprio, o nosso planeta, como contra o ser humano que o habita. Ao mesmo tempo, as pessoas nunca estiveram tão ligadas umas às outras como agora, graças aos progressos tecnológicos.

A era digital revolucionou os conceitos de espaço e localização. Transformou completamente o modo como nos vemos e o mundo onde vivemos. Cada vez mais pessoas descartam a leitura no papel para se informar ou se divertir em computadores e tablets.

O Bom Papel

Nosso modo de interagir com um texto está mudando. Estamos perdendo algo tangível. A arte de Georgiou pretende que encaremos essa transformação como sendo fruto do imediatismo da mídia e do desejo que se apossou de nós de estarmos ligados à notícia nas 24 horas do dia.

Vira-Lata

Muitas de suas obras são encomendas da Oxford University Press e do Washington Post Corporation.

Mais pelo Blog do Noblat.

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Obra-prima do dia (Semana C.D. Friedrich)

11/04/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Fonte: Blog do Noblat

Pintura: Depois do casamento com Caroline (1818)

Em 1798 a família de Friedrich mudou-se para Dresden, a capital da literatura romântica alemã. Lá Friedrich travou amizade com Phillip Otto Rünge e foi com ele percorrer os Alpes. Quando voltaram, Rünge o apresentou aos artistas românticos Johann Christian Dahl, Carl Gustav Carus, Novalis e Georg Friedrich Kersting.

Também conheceu Goethe, que lhe abriu as portas para uma exposição em Weimar, onde ganhou seu primeiro prêmio, em 1805. Dresden era o ambiente ideal para o talento e a sensibilidade de Friedrich.

Das cercanias dessa cidade, do vale do Elba, das cadeias de montanhas e da proximidade com as lindas e silenciosas praias do mar Báltico, Friedrich tirou muita inspiração para suas belas paisagens.

Dresden tinha ainda a vantagem de estar muito próxima de Berlim, o que favorecia um contacto com a intelectualidade alemã e com os grandes museus da capital.

Em 1818 casou-se com Caroline Bommer, jovem bem mais moça que ele e com quem teve três filhos. Não se pode dizer que o casamento tenha mudado sua personalidade, mas é certo que suas obras ganharam em leveza, perderam o ar sempre soturno e melancólico, e mais importante que tudo, a figura feminina encontra um papel importante.

Acima Os Penhascos de Rügen (1818), lembrança da viagem de lua de mel com Caroline: a paisagem linda e luminosa, alegre, mas um Friedrich embevecido com o que vê e distraido com o que ocorre à sua volta. Ele sempre nos surpreenderá…

Mas a paleta mais leve, brilhante, e a paisagem que antes era nua e agora passa a ser habitada, levaram a historiadora de arte Linda Siegel a registrar que o casamento e os filhos atenuaram a melancolia do artista “cujo pensamento passa a ser cada vez mais ocupado por sua família, sua mulher, seus amigos e até alguns habitantes de Dresden”.

Foi na mesma época que ele conheceu duas pessoas que viriam a ter grande importância em sua vida: o grão-duque Nikolai Pavlovitch, que se torna comprador assíduo de suas obras e o poeta Vasily Jukovski, tutor do futuro czar Alexandre II, que descobre no pintor alemão uma alma gêmea.

Durante décadas o poeta ajuda o pintor, comprando telas para si mesmo e recomendando seus quadros para a família imperial russa. Jukovski numa carta diz que o trabalho de Friedrich “desperta antigas lembranças em nossas mentes”.


Acima, No Veleiro (1818/20), com Caspar e Caroline retornando para a bela Dresden, cujo perfil se vê ao fundo. De novo, uma paisagem leve e colorida, cheia de vida.

“Os Penhascos de Rügen”, óleo sobre tela, 90.5 × 71 cm
Acervo Museum Oskar Reinhart, Winterthur, Suiça

“No Veleiro”, óleo sobre tela, 71 × 56 cm
Acervo Museu Hermitage, São Petersburgo, Russia

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Obra-prima do dia (Semana C. D. Friedrich)

09/04/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Do Blog do Noblat

Pintura: Um expoente do romantismo alemão (1807/8)

O pintor alemão Caspar David Friedrich, nasceu em Greifswald, na Pomerânia Ocidental, hoje Alemanha (mas que na época pertencia à Suécia), em setembro de 1774 e faleceu em Dresden, em maio de 1840; foi um dos maiores expoentes da Escola Romântica na pintura e se tornou famoso por suas paisagens e marinhas eivadas de simbolismos e alegorias.

Estudou na Academia de Arte de Copenhagen e depois se estabeleceu em Dresden, a belíssima cidade situada às margens do rio Elba. Viajava muito por todo o norte da Alemanha e seus quadros são interpretações pessoais das árvores, colinas, do rio e suas praias rochosas, da névoa matinal que dava àquelas paragens um efeito muito especial, e que ele soube aproveitar e reproduzir com maestria.

Alguns de seus quadros mais famosos são expressões místicas, de uma religiosidade contemplativa. Em 1808, ele expôs uma das mais polêmicas de todas as suas obras e numa moldura muito significativa, feita por ele mesmo: A Cruz nas Montanhas (1807) (imagem acima), na qual um altar foi convertido em pura paisagem.

A cruz, vista obliquamente, é um pequeno elemento na composição. Mais importantes são os raios do sol poente, que o artista declarou ser o ocaso do velho mundo pré-cristão. A montanha simboliza a fé inabalável e os pinheiros, a alegoria do retorno da esperança.

Patriota ardente, Friedrich era devoto, introspectivo e muito melancólico. Sua mãe morreu quando ele estava com sete anos e seis anos mais tarde, seu irmão mais velho morreu ao salvá-lo: Caspar foi levado pela correnteza de um rio e se não fosse o irmão, certamente teria morrido. Muitos anos se passaram até que ele se perdoasse por esse fato do qual, na realidade, não tinha culpa alguma.

Profundamente germânicas, as imagens de Caspar David Friedrich são as mesmas de ‘um Wagner sem a respiração adicional da música. Implicitamente musical, suas telas, no início de sua vida, têm a delicadeza dos acordes de Mozart, mas sempre prenhes do sentido da morte e da transfiguração, vão se tornando wagnerianas com os anos’ (palavras de um curador do Museu de Belas Artes de Viena, Áustria).

Abaixo, Vista do Estúdio do Pintor (1805/06), obra que além de por em relêvo todo o talento do pintor, sobretudo na transposição para o papel da luminosidade suave de Dresden, nos ajuda a compreender os sentimentos de Friedrich.

“Vista do Estúdio do Pintor” é trabalho com tinta sépia e lápis.
Acervo Kunsthistorisches Museum, Vienna, Áustria

“A Cruz nas Montanhas” é óleo sobre tela, mede 115 x 110cm.
Acervo Gemäldegalerie, Dresden, Alemanha

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Obra prima do dia (Semana Aleksandr Rodchenko)

02/04/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa (*)

Do Blog do Noblat

Fotografia: Retrato da mãe (1924)

Aleksandr Rodchenko, pintor, escultor, designer e fotógrafo, era neto de um servo e filho de uma lavadeira. Em 1891, qando ele nasceu, seu pai era funcionário num teatro em São Petersburgo. Mas muito menino ainda sua família mudou-se para Kazan, onde Aleksandr foi matriculado na Escola de Belas Artes. Fez o curso completo, de 1910 a 1914, e depois se mudou para Moscou, com o propósito de aprimorar seus estudos na Escola Stroganov.

Sua maturidade artística coincidiu com o advento da Revolução de 1917. Entre 1917 e 1921 ele se aprofundou no estudo da pintura e da escultura abstratas. Com um grupo de artistas que pensavam como ele, inclusive com aquela que seria sua companheira por toda a vida, Varvara Stepanova (foto à esquerda), ele foi um dos mais entusiastas seguidores do movimento Construtivista.

Em setembro de 1921, cinco artistas construtivistas, Rodchenko e Stepanova e mais Aleksandra Ekster, Liubov Popova e Aleksandr Vesnin – cada um contribuindo com cinco obras, inauguraram a exposição 5×5=25. Rodchenko expôs quadros que chamou de Linha, Célula e três telas monocromáticas, intituladas Vermelho Puro, Amarelo Puro e Azul Puro.

Anos mais tarde, Rodchenko diria:

Reduzi a pintura à sua conclusão lógica e exibi três telas: vermelho, azul e amarelo. E concluí: a pintura acabou.
Só cores básicas.

Todo plano é um plano, não precisa ser representado.

Foi a morte da pintura para Rodchenko que dali em diante se dedicaria a meios que julgava mais úteis ao serviço da sociedade, como design, fotografia e fotomontagem.

Nesta semana falaremos da arte na qual Rodchenko foi um dos maiores no século XX: a fotografia.

A foto principal é o retrato que fez de sua mãe, em 1924. Ela está sentada lendo os jornais do dia e seu rosto diz muito… ou quase tudo.

Acervo Família Rodchenko
Fontes: exposição MoMA – NY, 1998

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Dilma está em Palermo para visitar a Capela Palatina (c.1130/1140)

31/03/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa (Do Blog do Noblat)

OBRA-PRIMA DO DIA (EDIÇÃO EXTRA)

De volta da Índia, a presidente Dima Rousseff acaba de desembarcar em Palermo, capital da Sicília. Seu avião está sendo reabastecido. Enquanto isso, ele se desloca para o centro da cidade onde visitará um dos bens mais preciosos da Humanidade – a Capela Palatina.

Todo o interior do templo é recoberto por refulgentes mosaicos do século XII, que só encontram paralelo nos de Ravenna e Constantinopla: os mosaicos representam cenas do Antigo e do Novo Testamento e os Atos dos Apóstolos. Nossos olhos descobrem, a cada centímetro, uma maravilha a mais (foto principal).

Dedicada a São Pedro a capela, de decoração árabe e normanda, é dividida em três naves divididas por dez colunas de granito vindas do Oriente, que sustentam a cúpula que a protege (foto acima)

A figura central, o foco que a todas domina, é o Cristo Pantocrator, que vemos no altar-mor e no teto. As cores dos mosaiscos são profundas e vívidas e o ouro e a prata colaboram para o efeito quase mágico  (fotos abaixo).

altar-mor (1)

o teto da nave principal (2)

O teto de madeira trabalhada em alvéolos é composto em grupos de quatro octógonos que formam uma estrela, de inspiração islâmica mas dispostos de modo a formar uma cruz, símbolo dos cristãos. As pinturas na madeira são preciosas pela raridade dos temas, sobretudo em igrejas cristãs: cenas de caçadas, de danças, até de um piquenique num harém. Mas são excepcionais também na arte islâmica, especialmente em um edifício religioso. Simbolizam a vida após a morte e as delícias do Paraíso, conceito comum às duas religiões monoteístas.

O piso em mármore de várias cores forma desenhos geométricos de beleza extasiante e a palavra aqui não é usada em vão.

O trono real, elevado e colocado no vão central da nave, ao nível do coro, lembra a tipologia carolíngea. A analogia é completada pelos mosaicos colocados acima do trono e que representam o Cristo em toda sua majestade. O candelabro do círio pascal é um exemplo refinado da escultura do século XII.

O interior da capela fez com que o grande escritor e contista francês, Guy du Maupassant, em 1885, a tenha definido como “A mais bela igreja do mundo, a mais surpreendente joia religiosa imaginada pelo homem”.

colunas e arcos que sustentam a cúpula (3)

A história da Sicília, por sua localização, é uma sucessão de invasões e lutas por povos mediterrâneos que procuravam expandir suas terras e seus domínios. Durante muitos séculos os gregos foram seus senhores a ponto de Siracusa ser considerada rival de Atenas. No correr do tempo os gregos enfrentaram e perderam a ilha para os romanos que por sua vez a perderam para os bizantinos e esses para os árabes.

Em Palermo foram os árabes que construiram o Qasr, palavra que significa castelo–fortaleza: quando os normandos invadiram a ilha, em 1072, sob o domínio do rei Rogério II d’ Altavilla, trataram de ampliar e transformar o Qasr no Palácio Real que iria abrigar a maravilhosa Capela Palatina.

É o encontro das culturas bizantina, árabe e latina que consegue o que parece ter sido a pretensão de seus religiosos e artesãos: juntar a terra ao céu e o homem a Deus. A luz do sol, que chega ali tenuemente filtrada, colabora para tornar o ambiente imaterial, espiritual, fantástico.

Capella Palatina, Palácio Real, Palermo, Sicília

Fotos instagram 1,2 e 3 – Ricardo Noblat

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Obra-prima do dia (Semana de arte Ameríndia)

27/03/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa (do Blog do Noblat)

Objetos de Arte: Colares (c.200 a.C. a 200 d.C)


Por milhares de anos as regiões andinas, a mesoamérica e o sudoeste do que hoje são os EUA, foram habitados por grandes civilizações que só tiveram precedentes no antigo Oriente Médio e na China.

A arte ameríndia, como é chamada a herança artística que esses povos nos legaram, vai de 2000 a.C a 1492 d.C. e é reconhecida pela sua excepcional qualidade. Jóias, esculturas, cerâmicas, trabalhos em metal, têxteis, em tudo isso eles deixaram belíssimos exemplos de seu talento, de sua criatividade e da sua impressionante capacidade de realizar objetos lindos e bem executados, feitos sem as ferramentas sem as quais o homem de hoje não vive…

Quando os espanhóis chegaram a essa parte do mundo, a primeira coisa que lhes chamou a atenção foi o fato da nobreza e dos chefes de tribo locais acumularem sua riqueza em ouro para uso pessoal.

Os peitorais, os ornamentos para a cabeça, os brincos, as pulseiras, os colares, os objetos para uso doméstico, eram quase todos em ouro maciço, o ouro que lembra o Sol, divindade para a maioria dessas culturas. Também usavam cerâmica e conchas, assim como pequenos seixos (foto à esquerda).

Hoje mostramos duas peças feitas em Jalisco, atualmente um dos estados mexicanos. A região de Jalisco, banhada pelo Pacífico, foi habitada por comunidades tarascas, olmecas, nahuas e chichimecas. Viviam em pequenas aldeias e hoje quase não há mais vestígios de sua civilização.

A foto maior mostra um colar cuja ornamentação é um peixe maior comendo um peixe menor. Os peixes, e as argolas enfiadas numa trança de algodão, são feitos com pedaços de conchas de mexilhões típicos da região, moluscos bivalves cuja característica principal é a variedade do colorido e do desenho de suas conchas.

Com a chegada dos conquistadores espanhóis, os povoados do oeste foram quase todos dizimados: em busca das minas de metais preciosos que abasteciam os índios, principalmente os tarascos, e depois de despojarem as aldeias de todas as peças em ouro que encontraram, os espanhóis continuaram sua marcha para o norte do atual México, deixando atrás de si somente ruínas.

Acervo The Art Institute of Chicago, EUA

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Obra prima do dia (Semana Pablo Picasso)

05/03/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa (Do Blog do Noblat)

                                                                      Pintura: Autorretrato com capa (1901)

Pablo Picasso nasceu em Málaga, Espanha, em 1881. Estudou em Barcelona e sempre conviveu com artistas e escritores. Em 1904 foi para Paris onde conheceu, entre outros, Georges Braque, Guillaume Apollinaire, Max Jacob e Gertrude Stein, amiga e muitas vezes, esteio.

Criou, com seu amigo Braque, o cubismo, e daí em diante não parou mais de criar. Seu estilo foi do clássico às abstrações mais radicais. Pintor, escultor, desenhista, ceramista, cenógrafo, gravurista e projetista, Picasso é uma das figuras mais importantes e influentes nas Artes Plásticas do século XX. Longevo, talentoso, e sempre apaixonado, teve uma rica vida amorosa. Foi um homem que marcou seu tempo.

Picasso, esse artista extraordinário, já foi mencionado aqui e certamente o será umas tantas outras vezes, por mim ou por quem me suceder aqui. É nome fundamental nas Artes Plásticas.

A obra desse gênio espanhol é tão rica, que achei por bem voltar a ele de vez em quando, pois se fosse falar de todas as obras que ele deixou como testemunho de seu talento, sem intervalos, levaria seguramente mais de um ano só falando em Pablo Picasso.

Em 1904, ele partiu para Paris e na França fincou suas raízes. Morreu aos 92 anos em solo francês, mas nunca deixou de ser, fundamentalmente, um espanhol.

Sua Fase Azul, como é conhecido o período que vai de 1901 a 1904, é de uma beleza muito triste, os tons de azul e um pouco de verde retratando a melancolia que sentia nessa época.

Além dos tons sombrios que usou, os temas também são dolorosos, lúgubres: prostitutas, mendigos, bêbados, cegos, sofredores em geral, formam a maioria dos retratados por ele nessa época. O que não impede que sua Fase Azul seja das mais admiradas por críticos de arte e por colecionadores em geral.

Mais tarde ele associou essa fase à dor que sofreu com a notícia do suicídio de um grande amigo, Carlos Casagemas, em Paris na ocasião.

A imagem de hoje é seu autorretrato, pintado quando ele estava com 20 anos, numa viagem que fez a Paris após a morte de Casagemas. É óleo sobre tela e mede 81 x 60cm.

Acervo Museu Picasso, Paris

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Obra prima do dia (Semana Kandinski)

21/02/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa para o Blog do Noblat

Pintura: Impressão III (Concerto) – 1911


Kandinsky, que também tinha talento musical, uma vez disse que o teclado é a Cor, os olhos são a Harmonia, o piano com suas muitas cordas, a Alma. O artista é a mão que domina o instrumento, ora tocando uma nota, ora outra, para provocar vibrações na alma. Esse conceito que une a cor à harmonia musical tem longa história, já intrigara cientistas como Sir Isaac Newton.

Kandinsky especulava com a cor, e criou uma teoria associando a nota com o timbre, a tonalidade com o alcance do som, e a saturação com o volume do som. Chegou a dizer que quando via Cor ouvia Música.

Em janeiro de 1911 assistiu a um concerto de Arthur Schoenberg em Munique e ficou profundamente impressionado pelos sons revolucionários que ouviu. E respondeu à emoção que sentiu criando a tela onde capturou a execução da música do grande compositor austríaco, Impressão III (Concerto) [imagem principal].

Percebendo a afinidade entre sua pintura e a música de Schoenberg, Kandinsky escreveu para o compositor o que deu início a um extraordinário intercâmbio entre esses dois visionários que conseguiram unir música e pintura.

Por sua natureza a música é abstrata – não tenta representar o mundo exterior mas sim expressar de forma imediata os sentimentos íntimos da alma humana. Não admira que sua influência tenha sido muito importante no nascimento da Arte Abstrata.

Kandinsky muitas vezes usou termos musicais para designar seus trabalhos: chamou algumas de suas obras mais espontâneas de “Improvisações”, e as mais elaboradas de “Composições”.

Além de pintar, Kandinsky fez-se ouvir como teórico da arte. Na verdade, sua influência na História da Arte Ocidental talvez derive mais de suas obras teóricas do que de suas pinturas. Ele colaborou na fundação da Associação de Novos Artistas e foi seu presidente, em 1909. O grupo não conseguiu integrar a abordagem dos mais radicais, como ele, aos grupos mais convencionais e acabou por se desfazer, em 1911.

Kandinsky se une a outros que pensam como ele: criam o grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul) e organizam duas exposições. Os planos eram muitos mas a irrupção da Primeira Guerra Mundial, em 1914, encerrou suas atividades e Kandinsky teve que voltar às pressas para sua terra natal, via Suíça e Suécia.

Mas as ideias do pintor em “O Almanaque do Cavaleiro Azul” e em “Do Espiritual na Arte”, lançados quase que ao mesmo tempo, serviram para defender e promover a Arte Abstrata, numa análise que conclui que todas as formas de arte são igualmente capazes de atingir um alto nível espiritual.

óleo sobre tela , 77.5 x 100 cm.

Acervo Städtische Galerie im Lenbachhaus, Munique, Alemanha


Ouça Vibração Espiritual: Kandinsky pinta a música de Schoenberg

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Obra prima do dia – Semana Lautrec

30/01/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa – do Blog do Noblat.

Pintura: O Leito (1892)

Henri Marie Raymond de Toulouse Lautrec Montfá era filho do conde Alphonse Charles Jean Marie de Toulouse Lautrec Montfá e sua mulher, Adèle Zoë Marie Marquette Tapié de Céleyran, primos-irmãos e descendentes de uma antiga família francesa. Henri nasceu em 24 de novembro de 1864, em Albi, no sul da França.

Quatro anos depois, seus pais se separam e a condessa resolveu viver em Paris. Lá ela matricula Henri no Liceu Fontanes. O pequeno cobre as páginas de seus cadernos com esboços e caricaturas. Começa a aprender desenho com Paul Princeteau, amigo de seu pai que se especializara em pintar animais.

Mãe e filho não ficam muito tempo em Paris. A saúde do rapaz é frágil e eles regressam a Albi. A conselho médico, fazem muitas temporadas na estação termal de Amélie-les-Bains. Aos 12 anos, leva um tombo em Albi e fratura o fêmur esquerdo. Vai passar muito tempo com a perna engessada e ocupa seu tempo lendo, desenhando e pintando.

Em 1879, caminhando em Barèges, Henri fratura o fêmur direito. Suas pernas não crescerão mais, enquanto que o resto de seu corpo crescerá normalmente. Os médicos diagnosticaram “osteogenesis imperfecta”, ossificação insuficiente. Na verdade, os médicos de seu tempo nunca souberam diagnosticar seu problema. Acredita-se hoje que fosse uma condição genética. O fato é que suas pernas raquíticas e quase que inteiramente rígidas terão que suportar um torso enorme. E ele nunca passará de 1m52.

Em 1881, Henri tenta por duas vezes o exame de acesso à Universidade. Em julho, é reprovado. Em outubro, aprovado. Mas, a essa altura, já decidira que seria pintor. Sua mãe custou a ser convencida e foi somente com a ajuda de seu tio Charles e do amigo Princeteau, que ele conseguiu a aprovação materna.

Vai para Paris e se matricula, recomendado por Princeteau, no estúdio do severo professor Louis Bonnat. Aluno e mestre não se entendem. Lautrec passa então para o curso de Fernand Cormon. Ali trava amizade com Van Gogh e com Émile Bernard. Por essa época entra em contacto com o trabalho de Cézanne, que muito o impressionaria.

Em 1886, conhece a modelo Suzanne Valadon, que se torna sua amante. A relação durou ate 1888, quando Suzanne tenta o suicídio.

“O Leito” é óleo sobre papelão, colado sobre fina prancha de madeira, e mede 0,54cm x 0,75 cm.

Acervo Musée d’ Orsay, Paris

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Obra prima da semana

25/01/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa para o Blog do Noblat
Muitos foram os motivos para o homem marcar O Tempo, como já mencionamos. Sua própria subsistência dependia disso. Mas outras razões foram surgindo como justificar sua própria importância pelo elo com o passado, organizar a sociedade em que vivia, estabelecer uma linhagem familiar ou dinástica.

 Relojoaria – Relógio Carrilhão (1598)

Descoberta e registrada a regularidade das mudanças que marcavam os dias e noites e a passagem de um ano, as estruturas de marcação do Tempo foram sempre um acordo feito entre as pessoas que viviam pelas datas do registro escolhido.

Para os cristãos, durante muitos séculos, o calendário da Igreja era o que regulava suas vidas. Os dias santos transformaram-se nos marcadores para determinados compromissos ou eventos e isso era acompanhado por todo o grupo social que criou e aceitou a data. Por exemplo: a data escolhida pelos britânicos para pagar seus impostos, o Dia da Anunciação de Maria, 25 de março.

Mas o exemplo mais forte é o “antes de Cristo” ou “depois de Cristo”, marcação que orienta, informa e na qual se estruturou a maioria do mundo moderno, e que na realidade não está baseada em uma data específica, já que não se pode garantir a data exata do nascimento de Jesus Cristo.

O relógio que hoje mostramos é do tipo carrilhão: a cada quarto de hora, os treze sinos montados no topo da caixa tocam um trecho de música diferente. As horas também são marcadas por um sino, maior e separado dos outros. Também é dos primeiros exemplares com dois ponteiros montados concentricamente no mesmo espaço para indicar as horas e os minutos.

Na Inglaterra de Elizabeth I, país forte e rico, curiosamente mesmo no final de seu reinado (ela reinou de 1558 a 1603), os relógios carrilhão ainda eram muito raros enquanto que em outras partes da Europa, como Alemanha e Países Baixos, eram uma tradição, e grandes auxiliares na marcação de compromissos.

Na imagem vemos o chamado Relógio Carrilhão de Interior, ou de Mesa, que tem um puxador pelo qual pode ser transportado. É criação de Nicholas Vallin, natural de Lille, Flandres, que em 1580 foi para a Inglaterra com seu pai John; lá abriram uma relojoaria e oficina de ourivesaria que rapidamente fez seu nome brilhar.

Altura: 58,42 cm.

Acervo Museu Britânico, Londres

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Por falar em verniz social

13/01/2012 por

Por falar em verniz social

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa (fonte: Blog do Noblat)

Continua a fazer sucesso por aqui a peça “Deus da carnificina” (Massacre, creio, seria título mais preciso para o tema da autora argelina Yasmina Reza). O texto é brilhante. Não serei desmancha-prazeres de quem ainda não viu: digo apenas que a autora nos fala do verniz social que impede os homens de se massacrarem uns aos outros, muitas vezes até por motivos banais.

A qualidade do verniz social, ou civilidade, como queiram, define o tipo de sociedade que formamos. Um bom e duradouro verniz social depende da instrução que recebemos desde a infância e da cultura com que vamos alimentando nosso espírito ao longo dos anos. Sim, porque como qualquer verniz sobre peça muito usada, o verniz social também tem que ser reaplicado algumas vezes…

Não creio que tenha havido época onde a falta de cortesia seja mais evidente do que a nossa. A deterioração da nossa capacidade de convívio está intimamente ligada ao desenvolvimento de uma das maravilhas do mundo de hoje, a Internet e suas redes sociais.

É espantosa a calma com que as pessoas se agridem nessas redes.

Chamar o outro de canalha, mesmo sem conhecê-lo, como se estivesse chamando o desafeto de bobo, é comuníssimo. Aliás, desafeto na maioria das vezes desconhecido, apenas se trocou com o agredido meia dúzia de palavras.

Levar na ponta da faca qualquer opinião que não agrade parece ser obrigatório. Não basta argumentar porque não concordamos com o que nos é dito. É preciso acompanhar de estranhíssimos kkkkks ou usar de calão.

Noutro dia li uma observação extraordinária: o sujeito fazia questão de usar palavras escatológicas para criticar o programa de TV Mulheres Ricas e finalizava sua diatribe com um Sou Socialista! Não explicava qual tipo de socialismo segue, mas certamente não é o da Sociedade Fabiana, defendida por ninguém menos que H.G. Wells, George Bernard Shaw e Bertrand Russell. Imagino o susto que esse trio levaria ao ver o socialismo ser usado como justificativa para argumentação tão reles.

Um bom verniz social impediria tanta tolice… Quem me acompanha – e escrevo neste espaço desde 2005 – sabe que não gosto do PT e Cia. Ltda. Mas isso não me leva a duvidar da doença do Lula. Os que duvidam não explicam como o ex-presidente conseguiu se transformar a ponto de ficar deformado, nem como uma equipe médica de respeito se sujeitaria a essa pantomima.

A maioria parece achar que exercer a liberdade de expressão é desprezar o raciocínio que nos distingue dos bichos. Pensou, falou, é o lema do século. O exemplo, aliás, vem de cima, como podemos comprovar ao ler as Frases do Dia do Blog do Noblat.

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Objetos de Arte – Taça Tyg (1905)

01/09/2011 por

Do Blog de Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa


OBRA-PRIMA DO DIA (SEMANA LOUIS COMFORT TIFFANY)

Como designer, Tiffany foi um precursor de muito sucesso. Sua intenção sempre foi criar objetos que aliados à funcionalidade, embelezassem cada vez mais nosso dia a dia.

Trabalhou muito pouco com prata, metal que era o carro chefe da fama de seu pai. A taça com três alças que ilustra esta seção hoje, conhecida pelo nome Tyg, por ter sido inspirada em antiga tradição inglesa dos séculos XV ao XVII, de taças de cerveja que às vezes tinham até nove alças, é um raro exemplo de objeto em prata fabricado nas oficinas de Louis Tiffany.

A forma evoca as taças medievais, modificada pelas alças em formato de ossos de animal. A decoração em vidro com aparência de jóia é homenagem ao artesanato dos índios mexicanos ou americanos, cujas peças em prata e turquesa são belíssimas. Suas dimensões são: altura 20.3 e diâmetro 15.2 cm.

Foi em 1897 que Tiffany começou a produzir pequenas peças em metal. Pouco a pouco foi diversificando e ampliando esse catálogo e durante as duas primeiras décadas do século XX suas oficinas produziram cerca de quinze diferentes modelos em mais de trinta objetos utilitários – tinteiros, balanças, talheres, bandejas, barômetros, entre outros.

A maior parte das criações em metal era em bronze fundido e moldado, às vezes martelado, ou cobre em fios trançados. Os modelos variavam segundo a adição dos acabamentos escolhidos.

Algumas peças recebiam uma coloração verde antigo, o que era obtido através de um banho químico, ou tinham um acabamento em patinado marrom, ou eram folheadas a ouro.

Um belo exemplo é a pequena lâmpada elétrica (foto menor)que não tem data de criação confirmada. No catálogo do museu consta como c.1902/1912. Feita em bronze e vidro, mede 34.3 de altura por 14.6 de diâmetro.

Ambas fazem parte do acervo do Metropolitan Museum of Art, Nova York

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Amores

11/08/2011 por

Por Eliane Elias de Rezende para o blog de Maria Helena R R de Souza

Outro dia, para espairecer, eu pensava em meus amores pretéritos. O primeiro era um estudante de engenharia que morava lá longe na capital e que, lamentavelmente, nunca soube que eu nutria por ele tão nobre sentimento.

Depois, surgiu um rapaz de sobrenome conhecido, que não foi exatamente um amor: foi o primeiro namorado e responsável pelo primeiro (eca) beijo. Depois do beijo, achei que não era mais virgem e fui correndo, aos prantos, para a casa da minha avó, única capaz de compreender essas coisas. Ela deu boas gargalhadas e disse que eu não tinha visto nada ainda. E que eu esperasse. Depois, seriamente, me tranqüilizou, dizendo que comer e, digamos, amar, era tudo muito natural.

Minha avó era uma mulher estupenda que vivia muito além do seu tempo. Graças a ela, ao longo da vida, espantei todos os dedos em riste e, se preciso for, espanto ainda hoje. Acredito que, de certo modo, não devemos deixar os nossos barcos eternamente atracados porque a imensidão do mar é misteriosamente sedutora. Além disso, a nossa vista, ao longo do tempo, vai alcançando o horizonte cada vez menos. Então, ganhemos o alto mar, nem que seja em pensamento. Cuidemos, contudo, da tripulação, porque ela é preciosa.

Muito tempo depois, me apaixonei por um estudante de arquitetura. Ele tinha olhos verdes e era lindo demais. E morava longe demais. Fui conhecer a família, que vivia em Santiago do Chile, numa casa belíssima, dessas de cinema. Ele queria se casar comigo, mas, eu não queria me casar. Achava que o casamento era uma prisão o que, de certa forma, é uma doce verdade. Assim, eu disse adiós.

Foi aí que ouvi a Marselhesa e me derramei de encantamento. Era um engenheiro que morava em Paris e que não falava Português. Por pouco não mudei de idéia e me casei com ele – é que o medo falou mais alto: e, depois, se eu não conseguisse voltar ao Brasil? E se eu ficasse com saudades da mamãe? E, dessa vez, com o coração partido, eu disse adieu.

Um parêntese: eu gosto mesmo é da comida da minha casa, porque é feita com amor. E das palavras de minha mãe, escritas na apresentação de seu primeiro e belo livro de receitas e orientações culinárias, eu nunca me olvidei: “tudo que é feito com amor e desvelo parece mais belo e, nesse caso, mais gostoso, eu diria”. Assim escreveu minha mãe que, em seguida, dedicou o livro aos filhos dizendo que “sempre teve a preocupação de oferecer-lhes a mesa farta e preparada com pitadas de um amor imenso”.

Assim, caseira e amorosamente, segui me apaixonando e acreditando no amor, mas, não no casamento, que só ao falar me dava arrepios. Aí, surgiu um moço, de São Paulo, que trouxe um amor muito suave: ele chegara recentemente da Grã-Bretanha onde concluíra Doutorado. Mas, por malíssima suerte, ele partiu para os Estados Unidos e eu jurei nunca mais me apaixonar.

Até que muito tempo depois, às margens do rio Arno, um destemido rapaz se propôs a casar-se comigo. E eu, inexplicavelmente, apreciei a oferta. Mas, antes de aceitá-la, olhei longamente as águas daquele belo rio e deparei com minha imagem refletida alternando com a de meu avô que, aflito, me dizia que cavalo selado não passa duas vezes. Além disso, aquele cavalo garboso, ali parado, era irresistível: conduzia um moço bonito, culto, educado, inteligente, honesto, generoso e que, ainda por cima, dizia “te quiero”.

Então, antes que aquele corajoso rapaz, num lampejo de lucidez, pudesse desistir, puxei-o rapidamente e o levei a comprar belas alianças. E o fiz subir no cavalo – logo atrás de mim. Eu sabia que aquela seria uma longa viagem, então, alguém precisava ter as rédeas desde logo, pensei precavida.

E embora no caminho encontremos sol e chuva, a viagem tem sido serena e feliz. E só uma vez eu quase me distraí porque me deparei com uma estrada diferente e eu sou curiosa. Mas, aí, olhei para trás e vi que conduzia um diamante – era preciso, pois, a retidão do caminho.

Eliane Elias de Rezende

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Entre o céu e o inferno…

22/07/2011 por

José Freitas no blog de Maria Helena R.R. de Souza

Lula morreu, e Deus e o Diabo brigam porque nenhum dos dois quer ficar com ele. Sem acordo, pedem a mediadores uma solução, que decidem por uma proposta que se alterne um mês no céu e outro no inferno.

No 1° mês, Lula fica no céu.

Deus não sabe o que fazer, quase fica louco.

O metalúrgico bagunça tudo. Atrapalha todos os elementos das orações e da liturgia. Dissolve o sistema de assessoria pessoal dos anjos, tenta formar uma coligação de maioria absoluta na base da compra de votos.

Suborna os arcanjos e os querubins.

Transfere um km quadrado do céu para o inferno.

Nomeia anjos provisórios aos milhares. Intervém nas comunicações aos Santos.

Troca as placas das portas de São Pedro.

Envia um projeto de lei aos apóstolos para reformar os Dez Mandamentos e anistiar Lúcifer.

Funda o PTC, o “Partido dos Trabalhadores Celestiais”, com estrela azul clarinho. O céu vira um caos.

As pessoas não o suportam mais e promovem piquetes e invasões. Deus não vê a hora de chegar o fim do mês para mandá-lo para o inferno.

Quando Lula, finalmente, se vai, Deus respira aliviado. Mas lá pelo dia 20, começa a sofrer novamente, pensando que dentro de 10 dias terá que voltar a vê-lo.

No primeiro dia do mês seguinte nada acontece e Lula não volta do Inferno.

No 5° dia, ainda sem notícias, Deus estava feliz, mas logo começou a pensar que, tendo passado mais tempo no inferno, Lula poderia querer passar dois meses seguidos no Paraíso…

Desesperado com a mera possibilidade, Deus decide ligar para o inferno para perguntar ao diabo o que estava acontecendo.

Ring…ring…ring…!!!

Atende um diabinho e Deus pergunta:

“Por favor, posso falar com o Demônio?”

“Qual dos dois?”, – responde o empregado – “O vermelho com chifres ou o sem dedo?”

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Conversa vai, conversa vem…

22/06/2011 por

Conversa vai, conversa vem…

Maria Helena -

Primeiro uma explicação: sou fá de carteirinha do Blog de Maria Helena R. R. de Souza, recomendadíssimo pelo brilhante jornalista Noblat.
Maria Helena mantém na internet um blog cultural riquíssimo e vem a ser um dos mais acessados da web.

Muito do que posto encontro lá, pois posso classificar seu blog como o espaço cultural maior da internet. Insisto que cultura deve ser compartilhada e de nada vale um quadro valioso sendo enterrado com seu dono, ao invés de estar disponível em um museu popular.

Vemos na foto a brilhante Maria Helena como ela se apresenta em suas postagens.

Hoje li o seguinte:
Há leitores que não se conformam quando vão parar no célebre filtro e eu os compreendo muito bem. É chato, é desagradável escrever e ser “raptada” pelo filtro.

Mais uma vez venho justificar o filtro, essa entidade que para mim, por exemplo, é benemérita… Não tenho moderador e não posso ficar o dia inteiro grudada no monitor para ler os comentários… O filtro é meu grande auxiliar, essa é que é a verdade.

Infelizmente, paga o justo pelo pecador.

Vou dar uns exemplos. Certos nomes próprios vão invariavelmente para o filtro. Isso porque algumas pessoas sem o mínimo de instrução ou sensibilidade e sem ter o que fazer, gostam muito de culpar a Imprensa por tudo que acontece em nosso país.
Escreveu não leu, usavam nomes de famílias ligadas à Imprensa ou para agredir alguém ou para dizer que tudo que aconteceu no Brasil foi por culpa dessa ou de outras famílias. E não querem saber se falam de vivos ou mortos. Sim, porque o agressor é antes de mais nada um covarde.
Resultado, são nomes que vão para o filtro direto, e o filtro é uma máquina que não tem condições de analisar em que sentido estão usando os nomes.

Exagerando na comparação, já tive vontade de pedir que pusessem o nome Adoniran Barbosa no filtro, um dia em que um infeliz disse, ao criticar um artigo meu, que bem se via que o Adoniran devia estar muito alcoolizado no dia em que me gerou… Uma grosseria descabida comigo e uma grosseira descabida com um homem já falecido. E sabem por que? Porque eu criticava o Lula, essa flor do agreste.
Algumas palavras como idiota, grosso, sacanagem, cafona, burro; escatológicas como cocô; ou de duplo sentido como rola, que tanto pode ser do verbo rolar como outra coisa… são filtradas de imediato e não passam.

Quando o comentarista vai parar no filtro, aparece para o blogueiro uma marquinha em verde. Nos momentos em que venho aqui, vou imediatamente olhar se há marquinhas verdes e aí, ou retiro o comentário do filtro, ou, deixo-o lá para sempre. Isso fica inteiramente a critério do blogueiro e por isso, o que às vezes pode aqui, em outro blog da Globo pode não poder e vice-versa.

Hoje, por acaso, dei com um comentário da Fa no filtro. Ao ler, vi que não havia mal nenhum e pesquei o dito comentário. Na maioria das vezes, é o que acontece. Em outras, não.

Sou de outra geração e, apesar de não ser cheia de não me toques nem detremeliques exagerados, ainda não me habituei com certas coisas. Por exemplo: não creio que fosse necessário para o país saber de quê o Ministro da Justiça foi operado. Não imagino De Gaulle ou Churchill ou Stalin tendo que dizer tudo que se passava com eles para vencer o monstrinho do bigodinho – outro bom exemplo: o nome desse vai para o filtro direto.
É o cúmulo, eu acho, afinal não podemos ignorar uma parte importantíssima da História do Mundo. Mas é um bom exemplo: alguns engraçadinhos usavam esse nome para dizer barbaridades. Vai ver eram uns filhos do hitler.

Todo essa palavrório para pedir desculpas pelo aborecimento que o filtro possa causar e para, ainda uma vez, pedir paciência a vocês. MH”

 

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