07/10/2010 por Equipe ZCastel
Por Renato Cardoso (*)
Abaixo a reprodução do que escrevera e cantara o grande Dorival Caymmi, até parecendo que sabia que haveria de surgir uma Marina, morena, bonita com o que Deus lhe deu, a fazer com que brasileiros de todas as cores e de todos os credos voltassem a acreditar no Brasil.
Marina, esta música foi feita pra você !!!! Pra nenhuma outra Marina, Caymmi que me perdoe. Ele até tentou desviar a atenção em alguns trechos do texto quando, por exemplo, falou para que você não pintasse esse rosto que era só dele. Mas esse rosto é do Brasil.
Marina é do Brasil. Marina, sim, é a filha do Brasil.
E a tinta era uma necessidade de marketing para que a nossa Marina se mostrasse mais vistosa e mais saudável, diante de tanta correria e tantos compromissos em todos os dias de campanha, levando em conta seu estado físico abalado por marcas de doenças próprias de quem pisou no chão e percorreu todos os degraus da escalada de um brasileiro pobre que foi à luta e chegou ao cume do poder para mostrar que essa é a cara do Brasil. Só que a tinta era natural e extraída de árvores da Amazônia, tendo em vista sua pele não permitir cosméticos da Natura, provavelmente sem a pureza das seivas das árvores da selva amazônica.
Gal, lá atrás cantou gritando para que o Brasil mostrasse a sua cara. E eis que surge a “cara do Brasil: Marina
Marina, o dia de hoje é só seu! O Brasil de hoje é seu e está em suas mãos o destino de nossa nação. Ele será o que você disser que deverá ser. Como deverá ser.
Todos querem e precisam saber sua opinião. Não entenderam ainda os recados dados todos os dias e e em todos os minutos da sua campanha. Eles precisam entender melhor.
Tanto poder dos dois lados e precisa você investir-se do privilégio dos Césares de Roma, levantando ou abaixando o polegar, para decidir a sorte dos seus subordinados. Mas você não fará assim. Agirá de forma tão sutil que poucos hão de perceber sua participação.
Marina, morena Marina, você se pintou. Pintou-se como os nativos para a guerra. Não para o confrontamento, mas para o congraçamento, para buscar um caminho para a paz.
Muitos terão que ceder, terão que descer dos patamares alicerçados em falsidades e falácias. Terão que voltar ao lugar de onde jamais deveriam ter saído.
Farão isso ou não poderão ouvir sua voz mansa e cansada, pronunciando palavras de paz e sabedoria, visando à construção de um Brasil novo.
Os tidos e havidos como grandes e poderosos haverão de se curvar ante a sua figura e entender que o momento é seu. Que o discurso certo é o seu.
E o farão. Muitos porque aprenderam a lição. E outros, infelizmente, apenas o farão porque lhes será conveniente. Mas o farão.
E você decidirá com aquela sua maneira especial de se fazer chegar ao entendimento de todos. Você talvez o faça por sinais. Por composições talvez, mas com convencimento embasado no bom senso, no que é melhor para todos e, principalmente, no melhor para o Planeta.
E lá, de Josés a Dilmas, de Michels a Paloccis, de Índios a Tasso, de Aécio a Requião, obrigatoriamente todos haverão de entender que os discursos inflamados e nem sempre verdadeiros dos palanques foram substituídos por uma voz mansa e serena, que se faz ouvir muitas vezes com sacrifício, impulsionada por um pulmão cansado por experiências vividas a contragosto, mas que vem a ser a voz do Brasil.
Quando se manifesta, essa voz ganha timbre de soprano.
Marina dirá qual o Brasil que gente como ela, outras tantas Marinas, querem.
E todos se curvarão à sua decisão, a decisão mais certa, a decisão mais sábia.
E aí, caso ouçam com o respeito a voz de quem tem juízo, poderão governar. Governar com retidão e coragem, porque, quando se dirigirem ao povo brasileiro, estarão sabendo que haverá uma Marina para conferir se o que dizem é o que deveria ser dito, o que foi dito por ela nas aulas de civismo proferidas no período de campanha eleitoral.
Marina, você venceu essas eleições e todos nós, povo brasileiro, ganhamos.
E a música cantada por Caymmi adquire um novo sentido:
“E quando eu me zango, Marina
Não sei perdoar
(referendo a todos que não seguirem seus ensinamentos)
Eu já desculpei muita coisa (desculpei tantos erros de políticos passados, mas agora basta).
Você não arranjava outra igual (não, porque a Marina era única e tinha hora certa para aparecer)
Desculpe, Marina, morena
Mas eu tô de mal
(De mal com todos os que não cantam no mesmo tom de Marina Silva)
(*) Renato Cardoso é publicitário e bacharel em direito.
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