Quais são os twitters com maior influência política no Brasil

16/04/2012 por

Noblat lidera ranking elaborado por consultoria global, que citou também Míriam Leitão

O Globo

O colunista de O GLOBO, Ricardo Noblat (foto), mantém o perfil no Twitter com maior influência na política do Brasil, desbancando até a presidente Dilma Rousseff, segundo levantamento da consultoria internacional de relações-públicas Burson-Marsteller,divulgado nesta segunda-feira.

Míriam Leitão, também jornalista do GLOBO, ficou na sétima posição do Top 10.

Noblat e Míriam figuram na lista ao lado da presidente Dilma Rousseff (2ª posição), do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (3ª), de José Serra (4ª), do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) (9ª) e de Soninha Francine (10ª),  ex-vereadora de São Paulo.

O ranking mostrou que,  na rede social,  jornalistas e formadores de opinião têm tanta influência em temas de política quanto os próprios políticos:  estes ocupam apenas metade do Top 10.

Os outros lugares ficaram com o teólogo Leonardo Boff (5ª) e com os jornalistas Luis Nassif (6ª) e Lauro Jardim (8ª), que assina uma coluna na revista “Veja”.

“Os políticos devem entender que atividade, interatividade, informações relevantes e o diálogo com o público online são mais importantes que o número de seguidores e fãs. Isso ocorre basicamente pela falta de profissionais especializados em mídias digitais em suas equipes de comunicação”, observou, em comunicado, o diretor de Assuntos Públicos da Burson-Marsteller Brasil, André Miranda.

Os dados utilizados para o estudo foram coletados em março deste ano com base em três meses de atividade na rede social. No período, os influenciadores brasileiros receberam, em média, 51.510 retweets (quando a mensagem é replicada por outros internautas) e 13.240 menções.

A lista integra o estudo “Influenciadores do G20”, em que a Burson-Marsteller apurou quem são os twitteiros mais influentes em assuntos políticos em cada um dos países que integram o grupo das 20 maiores economias do mundo (sendo uma delas a União Europeia como um todo). Como o Twitter é proibido na China, a pesquisa utilizou na análise dados obtidos em sites similares.

No Top 10 americano estão o presidente Barack Obama, o âncora da rede de TV CNN Anderson Cooper, o filantropo e fundador da Microsoft, Bill Gates, o magnata da mídia e prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e o provável candidato republicano no próximo pleito presidencial, Mitt Romney.

Na França, a lista também é dominada por jornalistas, como o repórter do “Le Monde” Arnaud Leparmentier, e alguns políticos, como Nathalie Kosciusko-Morizet, porta-voz do governo Sarkozy e ex-ministra. Na argentina, membros do governo são os mais influentes: o ranking inclui a presidente Cristina Kirchner e o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli.

A metodologia utilizada foi baseada na plataforma Klout, que dimensiona a influência dos internautas através das redes sociais. A Klout avalia quesitos como a quantidade de compartilhamentos de um conteúdo postado pelo perfil analisado e como as outras pessoas reagem a ele.

A Burson-Marsteller é uma das maiores empresas de relações-públicas do mundo e está presente em 108 países, segundo informação da própria companhia.

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Sobre a imparcialidade do jornalista

20/03/2012 por

Por Ricardo Noblat, quando o Blog do Noblat comemora 8 anos

Este blog comemora, hoje, seu oitavo aniversário. A propósito, republico o que postei aqui no dia 26 de agosto de 2010. É uma maneira de renovar meu compromisso com o jornalismo tal como o entendo. E com quem me lê.

“Este é um dos mitos cultivados há mais de século: jornalista é imparcial. Ou tem obrigação de ser.

Ninguém é imparcial. Porque você é obrigado a fazer escolhas a todo instante. E ao fazer toma partido.

Quando destaco mais uma notícia do que outra faço uma escolha. Tomo partido.

Quando opino a respeito de qualquer coisa tomo partido.

Cobre-se do jornalista honestidade.

Não posso inventar nada. Não posso mentir. Não posso manipular fatos.

Mas posso errar – como qualquer um pode. E quando erro devo admitir o erro e me desculpar por ele.

Cobre-se do jornalista independência.

Não posso omitir informações ou subvertê-las para servir aos meus interesses ou a interesses alheios.

Se me limito a dar uma notícia devo ser objetivo. Cabe aos leitores tirarem suas próprias conclusões.

Se comento uma notícia ou analiso um fato, ofereço minhas próprias conclusões. Cabe aos leitores refletir a respeito, concordar, divergir ou se manter indiferente.

Jornalista é um incômodo. E é assim que deve ser. Se não for não é jornalista.”

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Música do Dia – A little tear

12/03/2012 por

Por Ricardo Noblat

Blog do Noblat


Leila Maria

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Obra prima do dia (Semana Pablo Picasso)

05/03/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa (Do Blog do Noblat)

                                                                      Pintura: Autorretrato com capa (1901)

Pablo Picasso nasceu em Málaga, Espanha, em 1881. Estudou em Barcelona e sempre conviveu com artistas e escritores. Em 1904 foi para Paris onde conheceu, entre outros, Georges Braque, Guillaume Apollinaire, Max Jacob e Gertrude Stein, amiga e muitas vezes, esteio.

Criou, com seu amigo Braque, o cubismo, e daí em diante não parou mais de criar. Seu estilo foi do clássico às abstrações mais radicais. Pintor, escultor, desenhista, ceramista, cenógrafo, gravurista e projetista, Picasso é uma das figuras mais importantes e influentes nas Artes Plásticas do século XX. Longevo, talentoso, e sempre apaixonado, teve uma rica vida amorosa. Foi um homem que marcou seu tempo.

Picasso, esse artista extraordinário, já foi mencionado aqui e certamente o será umas tantas outras vezes, por mim ou por quem me suceder aqui. É nome fundamental nas Artes Plásticas.

A obra desse gênio espanhol é tão rica, que achei por bem voltar a ele de vez em quando, pois se fosse falar de todas as obras que ele deixou como testemunho de seu talento, sem intervalos, levaria seguramente mais de um ano só falando em Pablo Picasso.

Em 1904, ele partiu para Paris e na França fincou suas raízes. Morreu aos 92 anos em solo francês, mas nunca deixou de ser, fundamentalmente, um espanhol.

Sua Fase Azul, como é conhecido o período que vai de 1901 a 1904, é de uma beleza muito triste, os tons de azul e um pouco de verde retratando a melancolia que sentia nessa época.

Além dos tons sombrios que usou, os temas também são dolorosos, lúgubres: prostitutas, mendigos, bêbados, cegos, sofredores em geral, formam a maioria dos retratados por ele nessa época. O que não impede que sua Fase Azul seja das mais admiradas por críticos de arte e por colecionadores em geral.

Mais tarde ele associou essa fase à dor que sofreu com a notícia do suicídio de um grande amigo, Carlos Casagemas, em Paris na ocasião.

A imagem de hoje é seu autorretrato, pintado quando ele estava com 20 anos, numa viagem que fez a Paris após a morte de Casagemas. É óleo sobre tela e mede 81 x 60cm.

Acervo Museu Picasso, Paris

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Obra Prima do dia (Semana Kandinsky)

23/02/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Do Blog do Noblat

Pintura: Alguns Círculos (1926)

Impossível falar em Kandinsky sem falar na extraordinária experiência que foi a Bauhaus (Staatliches- Bauhaus, “casa estatal de construção”), escola de design, artes plásticas e arquitetura, que funcionou na Alemanha entre 1919 e 1933. A Bauhaus foi uma das maiores e mais importantes expressões do que é chamado Modernismo, sendo uma das primeiras escolas de design no mundo.

Walter Gropius, o grande nome da arquitetura alemã do século XX, fundador da Bauhaus, convidou Kandinsky para lecionar ali, na cadeira “Pintura Mural”. O pintor, ao mesmo tempo que lecionava, desenvolvia pesquisas sobre materiais e diferentes meios de amalgamá-los. E cuidava de expor seus trabalhos. Fez sete exposições enquanto em Weimar, cidade sede da Bauhaus, muitas conferências, e publicou ensaios sobre temas relacionados à pintura.

Mas nem tudo foi tranquilo nessa fase. Em 1924, ele se afasta da escola e funda, com Klee, Feininger e Jawlensky, o grupo “Die Blaue Vier” (Os quatro azuis).

Em 1925, quando a Bauhaus é transferida para Dessau, tem início sua segunda fase na escola, que seria muito rica. A sede da escola é magnífica, inclusive com moradia para os mestres. Kandinsky e Paul Klee, e suas famílias, eram vizinhos. Pediram, e Gropius concordou, que fosse introduzido no currículo um Curso de Pintura Livre, onde ambos puderam continuar suas investigações sobre pintura.

É preciso ressaltar que a sólida amizade, a dedicação ao ofício e o fato de um admirar sinceramente a arte do outro, não fez com que seguissem os mesmos caminhos. Criaram mundos inteiramente distintos.

Em 1926, o primeiro número da revista “Bauhaus” é dedicado a Kandinsky, por ocasião de seu 60º aniversário.

Gropius é demitido por picuinhas políticas, a Bauhaus passa a ser dirigida por Hannes Meyer, e de 1928 a 1931, conhece uma fase de intensa politização dos estudantes. Meyer tinha aversão ao esteticismo, o que dividiu alunos e mestres. Kandinsky e Klee viram–se expostos a ataques violentos. Meyer foi demitido e Ludwig Mies Van der Rohe, outro grande arquiteto, a pedido de Gropius, aceita dirigir a Bauhaus, que transforma numa escola exclusivamente dedicada à arquitetura.

Klee vai ensinar na Academia de Belas Artes de Düsseldorf, enquanto Kandinsky aos poucos larga a atividade de docente. Em 1932, a Bauhaus foi transferida para Berlim; por conta de uma forte campanha de difamação feita pelos nazistas, a escola é fechada após encontrarem material comunista em suas instalações. O mundo, mais uma vez, saiu perdendo por causa de fanáticos…

“Alguns Círculos” é a tela cuja imagem ilustra hoje este post. “O círculo”, segundo Kandinsky, “é a síntese das grandes oposições. Combina o concêntrico e o excêntrico em equilíbrio e numa única forma. Das três formas primárias, é a que aponta mais claramente para a quarta dimensão”.

Óleo sobre tela, 140,3 x 140,7cm

Acervo Museu Guggenheim, Nova York

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O carnaval e o Oscar

21/02/2012 por

O carnaval e o Oscar

Por Joaquim Falcão (*)

Em material de diversão cultural, algum Brasil, a maioria talvez, parece hoje dividido entre o Carnaval e o Oscar. Em meio aos dois, existem os milhões que preferem as praias e os poucos que preferem os livros.

Mas a grande maioria deve estar brincando ou assistindo o Carnaval na televisão, ou estão indo aos vídeos, internet e cinemas para assistir os filmes candidatos ao Oscar.

Ambas manifestações culturais existem provavelmente por cerca de cem anos. E ambas não cessam de renascer, mudar, e têm mudado, no correr dos tempos.

A principal mudança do Oscar são duas. Por um lado é a sua crescente expansão global viabilizada pela televisão, pela obstinada conquista de novas audiências. É a entrada na casa de cada um, sem pedir muita licença.

Quem há vinte anos atrás se preocupava com o maquiador que ganharia o Oscar? Hoje existe até torcida para o maquiador da Meryl Streep contra o da Glenn Close.

Por outro, paralelamente, outra mudança expressiva é sua crescente força financeira, os interesses econômicos em jogo, os grandes investidores em disputa, capaz de determinar o sucesso ou fracasso de um ator ou de investidores milionários.

Mas historicamente a grande força do cinema norte americano é que ele é a maior, mais cara, mais competente, e mais permanente campanha de publicidade e marketing do american way of life.

É parte integrante e decisiva da estratégia do poder norte-americano. Dos valores, da cultura, dos hábitos, do vestir, do fazer, das profissões, do amor e do ódio, da música, das cidades, do sucesso e do fracasso, como assim entendem os americanos.

O Oscar não vende apenas arte e filmes. Vende sobretudo o made in usa, mesmo que este made in usa não seja mas feito em usa.

O Oscar ajuda a consolidar uma matriz cultural que ainda é a hegemônica no mundo. Pode o governo, a economia, a política norte-americana estar passando por momentos difíceis enfrentando adversários e adversidades. Mas o modelo cultural norte-americano não está.

Leia a íntegra em O carnaval e o Oscar

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Kalil, médico de Lula: ‘Não há mais tumor’

12/02/2012 por

Do blog de Ricardo Noblat

Estadão.com

Foto: Ricardo Stuckert /Instituto Lula
Médico de Lula, Roberto Kalil Filho afirmou neste sábado que “não há mais tumor”, sobre o câncer na laringe do ex-presidente, diagnosticado em outubro.

A notícia de que o tumor havia praticamente sumido foi dada a Lula dias atrás pelos médicos. Ela se tornaria pública por meio de um anúncio da equipe provavelmente na próxima sexta-feira, 17, mas foi confirmada neste sábado por Kalil.

Lula da Silva foi internado [ontem] no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, às 17h, após visita do médico Artur Katz. Na avaliação, Katz observou que o ex-presidente estava fraco e apresentava forte tosse e a equipe médica constatou “apenas a presença de inflamação de mucosa da laringe e esôfago”, consequência das sessões de radioterapia às quais Lula foi submetido.

Segundo boletim médico divulgado no início da noite pelo hospital, ele teve queixas de perda de apetite e fadiga.

Lula deve permanecer internado ao longo do fim de semana para observação, com medidas de suporte nutricional. Ele vai fazer também sessões de fisioterapia e fonoaudiologia. A decisão de internação foi tomada por precaução, já que no hospital o monitoramento da evolução do estado de saúde de Lula é mais preciso.

O ex-presidente, acompanhado de sua esposa Marisa Letícia, está recebendo medicamentos para reidratação. De acordo com os médicos, o estado de saúde do ex-presidente é bom e não haverá mudanças no plano de tratamento radioterápico.

Ontem, Lula havia passado por nova sessão de radioterapia, parte do tratamento contra um câncer de laringe descoberto no final de outubro. Segundo o boletim médico divulgado mais cedo, os problemas apresentados são comuns a pacientes que se submetem a esse tipo de tratamento.

Depois de passar o fim de semana hospitalizado, Lula deve retomar a radioterapia na segunda-feira, conforme o prevê o cronograma. Lula deve encerrar até o final da semana o total planejado de 33 sessões de radioterapia.

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Música do Dia – Querelas do Brasil

12/02/2012 por

Por Ricardo Noblat

Fonte: Blog do Noblat

Elis Regina

Ouça Querelas do Brasil, de Aldir Blanc e Maurício Tapajós

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A Coca-Cola da vez

11/02/2012 por

Por Karina Vieira em cartas de Nova York (*)

Certa vez, Andy Warhol disse que a uniformidade da Coca-Cola era o que unia os americanos: “Uma Coca-Cola é uma Coca-Cola e nenhum dinheiro no mundo pode comprar uma Coca-Cola melhor que a Coca-Cola que o mendigo da esquina está tomando. Todas são iguais,” disse.

Sinto muito, meu caro Warhol, mas você estava errado. Uns dois dólares a mais e você compra uma Coca-Cola melhor aqui em Nova York: a mexicana.

Existe ironia maior? Coca-Cola importada nos Estados Unidos?! Pois é verdade.

Desde os anos 80, quando o governo americano começou a subsidiar o milho, a Coca-Cola adaptou a tal fórmula secreta do refrigerante mais famoso do mundo. Trocou o açúcar da cana por xarope de frutose de milho (HFCS, na sigla em inglês). Péssima ideia. Por sorte, no México a fórmula não mudou.

Eu não sou a única a preferir a Coca-Cola mexicana. É cada vez mais comum encontrá-la nos supermercados e restaurantes por aqui. Até página no Facebook ela tem. Mais de 7 mil pessoas já “curtiram”.

Tudo começou com os imigrantes do México querendo matar a saudade de casa. Reclamavam que as garrafas da Coca-Cola americana eram feitas de plástico e que as embalagens de vidro usadas no México preservavam melhor o gás do refrigerante.

Joguei no Google e descobri um estudo da Popular Science que confirma a teoria dos mexicanos.

Mas o que faz a diferença mesmo é o HFCS. De uns tempos pra cá, esse xarope é um dos ingredientes mais demonizados pelos americanos, que estão sempre procurando explicações para a obesidade no país. Um dia é a gordura, no outro o carboidrato. Pois bem, já faz um tempo que o tal do HFCS, usado em quase todos os refrigerantes aqui, é o inimigo da vez.

Não se sabe ao certo o mal que o xarope de frutose de milho faz. (Cada estudo apresenta uma teoria diferente. Depende de quem o patrocinou). De qualquer forma, bem o açúcar também não faz. Isso a gente já sabe. Mas pelo menos mais gostoso é.

Lembra daquela vez que você veio aos Estados Unidos e achou a Coca-Cola estranha? Pois é, o sabor é mesmo outro. No Brasil, a Coca-Cola também usa o açúcar da cana. A Coca-Cola da moda é a mexicana porque o México está mais perto dos EUA. Poderia ser a brasileira.

Há pouco tempo um amigo americano me contou que numa de suas andanças pelo sertão brasileiro, uma menina de uns 6 anos perguntou se no lugar de onde ele vinha tinha Coca-Cola. Ele riu. A pequena curiosa poderia ter insistido: “Mas é boa como a daqui?”.

(*) Karina Vieira é jornalista e mora em Nova York há 10 anos. Formada em Mídia e em História pela City University of New York, tem mestrado em Jornalismo pela Columbia University. Escreve aqui sempre aos sábados.

Fonte: Blog do Noblat

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Salvador – ‘Chega de radicalismo’, decreta Cláudia Leite

07/02/2012 por

Por Ricardo Noblat

Ao invés de conceder a entrevista marcada para hoje sobre os preparativos do carnaval baiano, a cantora Cláudia Leite preferiu distribuir a seguinte nota oficial:

“Estou muito triste e preocupada com a greve de alguns setores da PM baiana. A Bahia está pagando um preço muito alto por tudo isso.

Quando impedem o nosso ir e vir, quando cerceiam nossa liberdade e tiram a alegria que é uma marca em nosso povo, em nossa terra, algo de muito grave está acontecendo.

A Bahia está ferida.

Chega de radicalismo.

Rogo às partes que busquem no entendimento a solução para esse impasse que tanto penaliza os baianos e os que nos visitam. Que Deus nos abençoe e proteja de todo mal.”

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Ironia

28/01/2012 por

Ironia

Por Elton Simões (*)

A vida e ironica. Curiosamente, minha inspiracao para o habito da leitura veio de alguem que mal sabia ler: minha avó. Ela nasceu em 1917, na mata da Serra da Bocaina, e passou a maior parte de sua vida em uma pequena cidade, corn os pés fincados entre a Via Dutra e as margens do Rio Paraiba.

Para ela, nascer já era aprender. Ela veio do mato para a cidade em uma hist6ria que nao sei nem por ouvir contar. Na cidade, e1a aprendeu rapidamente que aprender era o comeco de uma vida melhor. Ler era o caminho.

Apesar de ter concluido somente o curso primario, minha avó enxergava as luzes das letras. Nao podendo, pelas circunstancias da vida, ela mesma desfrutar dos beneficios da leitura, ela sempre me incentivou a ler.

Curiosa, sempre que me via corn um livro nas maos, minha avó queria saber do que se tratava o livro. E assim, desta maneira, conversavamos sobre tudo.

Discuti corn ela literatura modema e clássica, hist6ria do Brasil, tratados de direito, textos de filosofia, e técnicas de administração. Ela tinha opinião sobre tudo e comentários originais que eu jamais seria capaz de pensar.

E foi assim que, graças a alguém que nao lia livros, eu me acostumei a sentir o calor do papel nos meus dedos enquanto aprendia uma coisa ou outra nas minhas leituras. Ironica, mesmo, esta vida.

(*) Elton Simoes mora no Canada há 2 anos. Formado em Direito (PUC); Administração de Empresas (FGV); MBA (INSEAD), com Mestrado em Resolução de Conflitos (Univesity of Victoria). Email: esimoes@uvic.ca.

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Obra prima da semana

25/01/2012 por

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa para o Blog do Noblat
Muitos foram os motivos para o homem marcar O Tempo, como já mencionamos. Sua própria subsistência dependia disso. Mas outras razões foram surgindo como justificar sua própria importância pelo elo com o passado, organizar a sociedade em que vivia, estabelecer uma linhagem familiar ou dinástica.

 Relojoaria – Relógio Carrilhão (1598)

Descoberta e registrada a regularidade das mudanças que marcavam os dias e noites e a passagem de um ano, as estruturas de marcação do Tempo foram sempre um acordo feito entre as pessoas que viviam pelas datas do registro escolhido.

Para os cristãos, durante muitos séculos, o calendário da Igreja era o que regulava suas vidas. Os dias santos transformaram-se nos marcadores para determinados compromissos ou eventos e isso era acompanhado por todo o grupo social que criou e aceitou a data. Por exemplo: a data escolhida pelos britânicos para pagar seus impostos, o Dia da Anunciação de Maria, 25 de março.

Mas o exemplo mais forte é o “antes de Cristo” ou “depois de Cristo”, marcação que orienta, informa e na qual se estruturou a maioria do mundo moderno, e que na realidade não está baseada em uma data específica, já que não se pode garantir a data exata do nascimento de Jesus Cristo.

O relógio que hoje mostramos é do tipo carrilhão: a cada quarto de hora, os treze sinos montados no topo da caixa tocam um trecho de música diferente. As horas também são marcadas por um sino, maior e separado dos outros. Também é dos primeiros exemplares com dois ponteiros montados concentricamente no mesmo espaço para indicar as horas e os minutos.

Na Inglaterra de Elizabeth I, país forte e rico, curiosamente mesmo no final de seu reinado (ela reinou de 1558 a 1603), os relógios carrilhão ainda eram muito raros enquanto que em outras partes da Europa, como Alemanha e Países Baixos, eram uma tradição, e grandes auxiliares na marcação de compromissos.

Na imagem vemos o chamado Relógio Carrilhão de Interior, ou de Mesa, que tem um puxador pelo qual pode ser transportado. É criação de Nicholas Vallin, natural de Lille, Flandres, que em 1580 foi para a Inglaterra com seu pai John; lá abriram uma relojoaria e oficina de ourivesaria que rapidamente fez seu nome brilhar.

Altura: 58,42 cm.

Acervo Museu Britânico, Londres

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Cadê minha gorjeta?

21/01/2012 por

Por Karina Vieira em CARTAS DE NOVA YORK para o Blog do Noblat

“Não dou gorjetas”, disse o personagem de Steve Buscemi na memorável cena de Cães de Aluguel, primeiro filme de Quentin Tarantino.

Nem tente fazer isso aqui em Nova York. Aqui gorjeta não é lei, mas é obrigatório. É norma. Tem pouco a ver com a qualidade do serviço. Sim, a gorjeta é maior quando o serviço é melhor. Mas sempre se deixa algo, mesmo com o pior dos atendimentos.

Turista tem fama de dar pouca ou nenhuma gorjeta. Muitas vezes porque não sabe se ou quanto deve deixar. O que muita gente que vem de fora não sabe é que, em muitos casos, esses trabalhadores ganham nada ou quase nada além dessas gorjetas.

Quanto deixar pode ser um mistério até pra quem mora aqui. O valor vai de um dólar (à moça que cuida do banheiro) a 100% do valor do serviço (aos engraxates).

Abaixo algumas regras que são uma espécie de consenso sobre as políticas da gorjeta da cidade:

No restaurante
Dez em cada dez garçons fazem cara feia na falta de gorjeta. Talvez você até precise de um buraco pra se esconder de vergonha quando eles te seguirem pela rua exigindo o dinheiro deles. A praxe é entre 15-20% do valor da conta (sim, 10% é pouco). Mas, fique atento: a gratificação geralmente está incluída na conta de grupos de mais de seis pessoas.

No bar
Deixe ao bartender um dólar por cada bebida. Caso contrário, corre o risco de não ser servida a segunda rodada. À pessoa que mantém o banheiro limpo, só é preciso deixar um trocado na primeira vez. Um dólar é mais do que suficiente.

No táxi
Tem uma razão pela qual os motoristas de táxi preferem corridas curtas: quanto mais clientes, mais “tips”, que devem ser de, no mínimo, 15%. Às vezes, o mais fácil é deixar o troco. Por exemplo, se a corrida deu 8 dólares, deixe 10.

No hotel
Deixe entre dois e cinco dólares por dia às camareiras e fique tranquilo. Reza a lenda que elas não lavam os lençóis e toalhas dos “ingratos”. E não, aquele rapaz que te ajudou a carregar a bagagem não estava simplesmente sendo gentil. Ele espera um dólar por cada mala. Aquele outro que chamou um táxi e ainda abriu a porta pra você entrar também espera mais que um “thank you”. Um dólar pra ele também.

No cabelereiro
A etiqueta é 20% da conta. Se deixar menos de 10%, não volte ao mesmo salão. Se voltar, procure outro cabelereiro. Ele poderia lembrar de você e sabe-se lá do que seria capaz de fazer com suas madeixas.

No metrô
Só deveriam se sentir obrigadas a deixar gorjeta aquelas pessoas que ficaram paradas mais de, sei lá, 10 minutos, assistindo à alguma performance. Em outros casos, é opcional. Mas se você gostou do que viu ou ouviu, não custa contribuir com um artista desempregado, não é?

((*) Karina Vieira é jornalista e mora em Nova York há 10 anos. Escreve para o Blog do Noblat sempre aos sábados

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Jazz e dos bons!

14/01/2012 por

Vai por Stacey Kent, famosa cantora de jazz americana, indicada ao Grammy por sua performance no álbum “Breakfast On The Morning Tram” de 2007, a música de qualidade do dia.


Stacey Kent (foto) graduou-se em literatura comparada no Sarah Lawrence College em Nova Iorque, e mudou-se para Inglaterra após sua graduação para estudar na Guildhall School of Music and Drama, em Londres. Nesta cidade conheceu o saxofonista, Jim Tomlinson, com quem casou em agosto de 1991.

Seu primeiro álbum, Close Your Eyes, foi lançado em 1997. Lançou outros cinco álbuns desde então, e participou nos álbuns de Tomlinson, cujo The Lyric (2005), recebeu o prêmio de álbum do ano no BBC Jazz Awards, 2006.

Stacey recebeu o prêmio de melhor vocalista no British Jazz Award (2001) e BBC Jazz Award (2002).

Seu álbum The Boy Next Door foi disco de ouro na França em setembro de 2006. O álbum Breakfast On The Morning Tram, conquistou o disco de ouro três meses após seu lançamento na França.

Ouça Manhattan, de Richard Rodgers e Lorenz Hart

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Por falar em verniz social

13/01/2012 por

Por falar em verniz social

Por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa (fonte: Blog do Noblat)

Continua a fazer sucesso por aqui a peça “Deus da carnificina” (Massacre, creio, seria título mais preciso para o tema da autora argelina Yasmina Reza). O texto é brilhante. Não serei desmancha-prazeres de quem ainda não viu: digo apenas que a autora nos fala do verniz social que impede os homens de se massacrarem uns aos outros, muitas vezes até por motivos banais.

A qualidade do verniz social, ou civilidade, como queiram, define o tipo de sociedade que formamos. Um bom e duradouro verniz social depende da instrução que recebemos desde a infância e da cultura com que vamos alimentando nosso espírito ao longo dos anos. Sim, porque como qualquer verniz sobre peça muito usada, o verniz social também tem que ser reaplicado algumas vezes…

Não creio que tenha havido época onde a falta de cortesia seja mais evidente do que a nossa. A deterioração da nossa capacidade de convívio está intimamente ligada ao desenvolvimento de uma das maravilhas do mundo de hoje, a Internet e suas redes sociais.

É espantosa a calma com que as pessoas se agridem nessas redes.

Chamar o outro de canalha, mesmo sem conhecê-lo, como se estivesse chamando o desafeto de bobo, é comuníssimo. Aliás, desafeto na maioria das vezes desconhecido, apenas se trocou com o agredido meia dúzia de palavras.

Levar na ponta da faca qualquer opinião que não agrade parece ser obrigatório. Não basta argumentar porque não concordamos com o que nos é dito. É preciso acompanhar de estranhíssimos kkkkks ou usar de calão.

Noutro dia li uma observação extraordinária: o sujeito fazia questão de usar palavras escatológicas para criticar o programa de TV Mulheres Ricas e finalizava sua diatribe com um Sou Socialista! Não explicava qual tipo de socialismo segue, mas certamente não é o da Sociedade Fabiana, defendida por ninguém menos que H.G. Wells, George Bernard Shaw e Bertrand Russell. Imagino o susto que esse trio levaria ao ver o socialismo ser usado como justificativa para argumentação tão reles.

Um bom verniz social impediria tanta tolice… Quem me acompanha – e escrevo neste espaço desde 2005 – sabe que não gosto do PT e Cia. Ltda. Mas isso não me leva a duvidar da doença do Lula. Os que duvidam não explicam como o ex-presidente conseguiu se transformar a ponto de ficar deformado, nem como uma equipe médica de respeito se sujeitaria a essa pantomima.

A maioria parece achar que exercer a liberdade de expressão é desprezar o raciocínio que nos distingue dos bichos. Pensou, falou, é o lema do século. O exemplo, aliás, vem de cima, como podemos comprovar ao ler as Frases do Dia do Blog do Noblat.

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